29/05/2012

Quem é a doula, e o que ela faz?

Hoje um textinho meu foi publicado no Roteiro Baby Campinas... mas resolvi trazê-lo para cá também!! Espero que gostem!




(...)
Mas quem é a doula?

A doula é uma profissional treinada para acompanhar as gestantes e prepará-las para essa fase tão importante de suas vidas. Muitas doulas são profissionais da saúde como psicólogas, fisioterapeutas, enfermeiras, porém, este não é um pré-requisito. Há doulas que não têm formação profissional na área da saúde, mas decidiram estudar e se dedicar a este trabalho de empoderar mulheres e ajudá-las a conquistar o sonho de um parto humanizado, digno, respeitoso e com menos intervenções possíveis.

E como é o trabalho de uma doula? Inicialmente, ela ajuda a gestante a planejar o nascimento do seu bebê, fornecendo informações importantes sobre a fisiologia da gestação, o processo todo do trabalho de parto e pós-parto, as rotinas e protocolos hospitalares, amamentação, cuidados com bebê, etc. E essas informações são sempre baseadas em evidências científicas atualizadas...

Esta profissional também ajuda o casal a elaborar seu plano de parto, uma lista que contém todos os desejos da gestante em relação à assistência obstétrica e neonatal que pretende receber. Além disso, e ainda durante a gestação, a doula oferece uma vivência prática à gestante através de massagens, relaxamento, respiração, ensinando inclusive o acompanhante da mulher como se portar e como ajudá-la na "hora P". Ou seja, a doula acaba sendo uma cuidadora do casal, se preocupando com suas particularidades.

Quando a gestante entra em trabalho de parto, a doula também a auxilia, formando com seu acompanhante um circulo de apoio muito importante para a mulher se sentir segura e acolhida. Durante este período, a doula oferece recursos não farmacológicos para aliviar a dor (como posicionamentos, massagens, banhos, respirações, visualizações, etc.), tornando assim o trabalho de parto o mais confortável e satisfatório possível. Se a doula for da área da saúde, pode lançar mão também de seus conhecimentos específicos, como por exemplo, utilizar acupuntura ou aromaterapia para ajudar à gestante. Além disso, a doula funciona como uma espécie de "tecla SAP", explicando ao casal tudo o que está acontecendo e facilitando a comunicação entre o casal e a equipe médica.

É importante lembrar que por mais que acompanhe a gestante, a doula NÃO faz procedimentos médicos. Avaliar o batimento cardíaco do bebê, aferir pressão arterial, verificar através de toque vaginal a progressão da dilatação e quaisquer outros exames são de responsabilidade do médico/obstetriz/enfermeira obstétrica, NUNCA da doula. Ou seja, ao contrário do que muita gente pensa, a doula NÃO é uma espécie de parteira e sim, uma pessoa responsável pelo bem-estar físico e emocional da mãe, e não dos aspectos técnicos do parto.

Também considero importante enfatizar que o trabalho da doula consiste em promover escolhas conscientes. Através das informações passadas, a doula oferece a oportunidade para a mulher trazer para si a responsabilidade sobre a gestação, o parto e o pós-parto, tornando-se protagonista de sua história. E como personagem principal, suas escolhas devem ser respeitadas! Portanto, a doula não pode e não deve impor suas crenças, valores e objetivos pessoais e nem julgar a mulher que escolher caminhos diferentes daqueles que a doula considera melhor! Ela está ali para apoiar e auxiliar a gestante a ter um parto seguro e gratificante, de acordo com suas limitações.

O suporte contínuo durante o trabalho de parto e parto tem benefícios concretos, como por exemplo, a redução do pedido de analgesia em 35%, redução do uso de ocitocina (hormônio sintético, que acelera o trabalho de parto) em 71%, redução do uso do fórceps em 57%%, redução de cesáreas em 51% além do aumento da satisfação com a experiência do parto!

Bastante coisa, não? E o trabalho da doula não pára por aí, pois também atuamos no pós-parto, orientando a amamentação, apoiando a nova mãe e dando suporte durante os primeiros dias de puerpério, o que faz com que haja melhor vínculo entre mãe e bebê, e redução dos índices de depressão pós-parto!

Se você se interessou pelo trabalho da doula, tenho algumas dicas de como escolher a melhor doula para você:

- Entreviste várias doulas! Procure na internet nome de doulas em sua cidade e marque um encontro com várias delas! Veja onde moram, como é sua rotina, sua formação, com quais profissionais ela trabalha, o que oferece...

- Procure referências sobre as doulas que mais te interessar. Vídeos, fotos, relatos de gestantes que tiveram sua ajuda e até mesmo contato dessas gestantes.

- Se for importante para você, pergunte se ela trabalha com contrato. Querendo ou não, a doula também é uma prestadora de serviços! Nada melhor que ter os serviços todos e seus valores, descritos para que você possa ler e analisar com calma.

- Pergunte também sobre como ela se organiza quando há imprevistos. Se ela possui doulas reservas que possam atender em seu lugar caso ela esteja em outro atendimento ou esteja indisponível por outro motivo.

- Procure uma profissional que tenha um perfil parecido com o seu, que te passe segurança, empatia e confiança.

- Muitas doulas possuem grupos de gestantes. Tente participar desses grupos, pois assim você conhecerá melhor as doulas e o próprio vinculo criado facilitará a sua escolha!!!

Boa sorte!!!!

26/05/2012

Violência obstétrica

Você está muito enganada se acha que isso não acontece....
Você está muito enganada se acha que o médico sabe tudo sobre você e por isso tem que decidir por você!


23/05/2012

Até quando esperar o bebê chegar??

Que tal refletir um pouquinho? Que tal segurar a ansiedade um pouquinho? Que tal respeitar o tempo do bebê um pouquinho?

14/05/2012

Reportagem - Parto Humanizado


Um pequena reportagem com minha participação, junto das minhas queridas Priscila Huguet e Mirian Marques

10/05/2012

Relato: Cesárea após horas de TP

Conheci a V. no Grupo Vinculo. Ela ainda não estava grávida, mas sempre que dava conversávamos sobre parto. Seu primeiro filho havia nascido de cesárea, mas ela dizia que numa outra oportunidade, tentaria de novo o parto normal.
E então, segundo bebê foi concebido! Mas a gestação da V. foi conturbada por várias situações estressantes na vida dela. Uma delas, foi a morte de seu pai, figura muito importante para V.
Fomos conversando esporadicamente durante a gestação, mas foi no finalzinho que ela me convidou para ser sua doula. Me senti muito feliz!!
Já estava beeeem no final da gestação! Mas foi quando ela pode ir atrás das suas escolhas. Optou então pelo PN, por ter doula, por ter a Dra. Priscila como obstetra e a Maternidade como local para parir o E.
O TP demorou para engrenar. Deu vários indícios de que ia engrenar, mas o corpo da V. só foi enganando a gente...rss..  Até que chegou um dia e ele parou de brincar! Contrações começaram devagar.... progressivas como deveria ser. Fomos nos falando o tempo todo via SMS.... e mais tarde me juntei à ela.
V. estava muito bem.... mesmo com dores, estava bem-humorada... e instintivamente, dava ao seu corpo o que ele pedia: conforto e movimento. Conversávamos sobre besteiras, rimos... nem parecia que eu estava acompanhando um TP!! O marido, às vezes aparecia, para ver se estava tudo bem e diante da afirmativa, foi ver tv e descansar um pouco, já que havia ficado com a V. durante o dia todo....
A noite estava fria e chovendo muuuuuuuuuuuuito... mas o ambiente era extramamente agradável. Silencioso, só com o barulhinho da chuva de fundo...
No final da noite, a obstetra veio avaliar a V... Tudo indo super bem!!! Mas ela achou melhor irmos para a Maternidade, pois V. tinha exame de estreptoccos positivo e nessa situação é necessária a administração de antibiótico preventivo. E lá fomos nós... No carro fomos conversando entre uma contração e outra...
No hospital, V. continuou ótima... sempre respeitando seu corpo.... as doses de antibiótico foram sendo administradas.. A dilatação foi andando rápido, mas é lógico que o cansaço começou apertar.... e além disso, o bebê não queria saber de descer direito.... Então fomos movimentando para ajudar!
Após um grande período de espera, V. optou pela analgesia... para aliviar as dores, o cansaço e facilitar o término da dilatação e descida do bebê.... Analgesia feita, V. pode descansar um pouco... mas nesse meio-tempo a médica verificou que o bebê estava mal-posicionado... Tentou acertar a posição de sua cabecinha manualmente, mas o bebê não quis colaborar não... A monitorização fetal foi sendo feita para constar que bebê estava bem (para continuarmos tentando posicioná-lo).... e V. ficar tranquila...pois nessa hora ela começou a ficar preocupada.
V. e a médica foram tentando fazer o bebê descer... ele estava bem próximo da saída, mas não passava dali... Dra. Priscila tentou várias vezes, até que então parou e conversou com a V: naquele momento poderia ser aplicado um fórceps ou então fazer uma cesárea...
V. teve medo do fórceps, e acabou optando pela cesárea mesmo com a Dra falando de sua experiência... Se sentiu triste, e fiquei com ela, conversando e tentando confortá-la.... Fomos para outra sala, e V. foi sendo preparada para a cirurgia. Logo o marido se juntou à nós.... e pouco tempo depois E. nasceu!! Lindão, cara do irmão mais velho!!!
Mesmo tendo os planos modificados em última hora, V. ficou muito feliz com a chegada de seu caçula... e eu muito feliz por ter presenciado mais um nascimento!

V. fiquei muito feliz por ter me convidado a partilhar desse momento da sua vida... Parabéns pela garra e pelo lindo babys!!!!!

Relato: PD super rápido!!

M. chegou até mim depois da indicação de uma colega psicóloga. M. é mãe de um garoto de 18 anos, e estava esperando sua caçula.. primeira filha de seu marido.
Sempre muito animada, me falava através dos emails sobre seus desejos e contou como foi seu primeiro parto: rápido, porém doloroso em termos de assistência recebida. Ela ficou sozinha, sem saber direito o que estava acontecendo... e por isso não queria repetir a experiência.
Os nossos encontros sempre foram muito animados... com muita informação e café fresquinho, preparado pelo T.. maridão super bacana e querido da M!
A princípio, a idéia do casal era ter a bebê no SUS.... mas depois pesquisando melhor e ouvindo alguns depoimentos desistiram da idéia...e então surgiu na M. a vontade de ter um parto domiciliar. Assim.. praticamente nos 45 minutos do segundo tempo. E lá foi ela se informar e contatar profissionais!
Acabou marcando um encontro com a Ana Cris, obstetriz de São Paulo que atende muito aqui na região. O encontro foi na casa da M, e eu estava junto, pois era dia de nossa reunião também.... Aquela conversa foi muito esclarecedora, principalmente para o T. que tinha algumas dúvidas.... e depois que Ana Cris foi embora, eles decidiram que seria mesmo em casa que bebê nasceria.
E o corre-corre começou logo no dia seguinte. Providenciaram todo material necessário, e entraram em contato também com a neonatologista que receberia a neném... e ficamos aguardando o trabalho de parto se iniciar..
Em nosso último encontro, conversamos um pouco, falamos da dor do parto, da ansiedade, assistimos um documentário bem bacana (Orgasmic Birth) e fiz um pouquinho de acupuntura para M. poder dormir melhor, já que ela andava reclamando de muita insônia...
Um dia e meio depois, por volta das 5:30h da madrugada, recebo ligação dela dizendo que contrações estavam começando.. algumas entre 15  a 30 segundos, vindo de 3 em 3 minutos. Como é bem comum gestantes terem falso trabalho de parto mesmo com frequências rápidas, orientei ela tomar um longo banho quente e depois ficar de quatro, para ver se as contrações continuavam ou paravam... Cerca de 1 hora depois, falei com o marido e ele me disse que as contrações agora estavam ficando mais fortes mesmo e que M. cantava enquanto elas vinham... Pedi pra me avisarem quando contrações estivessem duradouras e numa frequência bem marcada para eu ir pra lá... Bem de manhã, recebo outra ligação do marido. Atendi pensando "agora, é pra ir!!!!" e ele perguntou se era normal a esposa ter dor e vontade de empurrar!! Pedi pra ele ligar pra parteira, e saí correndo.... mas é lógico, que pra atrapalhar, peguei o maiooooooooor trânsito já que era horário de pico... M. mora em Valinhos e eu teria que atravessar a cidade correndo... Acho que nunca pedi tanto prum parto demorar!!! Nem peguei minha mala, nem nada.... deixei tudo pra trás (o que me fez decidir em deixar sempre uma segunda mala no carro....rsss)!!
Cheguei na casa da M. e a encontrei na cama, de quatro como a Ana Cris havia orientado... E eu a orientei a assoprar ao invés de vocalizar, para dar uma segurada nos puxos que ela sentia. A banheira estava cheia, mas intocada... nem deu tempo da M. curtir a água quente que tanto desejou!! A bolsa havia rompido e deixado sua marca no colchão, que por precaução já estava com uma capa impermeável.
Enquanto esperávamos a parteira e a neonatologista chegar, continuei orientando a respiração assoprada, fazia algumas massagens nas costas da M. com ajuda do T, que estava bem feliz!!
Chegou um momento, em que M. não conseguia mais assoprar... o desejo de gritar e fazer força era maior do que tudo.. Foi nessa hora que a neonatologista, e segundos depois, a obstetriz (vinda de SP!) chegaram!! Ufa!!
Elas arrumaram todos os apetrechos necessários, e M. se recostou na cama....ficando meio semi-sentada... T. ficou ao seu lado, e eu em pé, ajudei apoiar uma de suas pernas.... Agora era só se soltar e deixar bebê escorregar... e foi isso que M. fez... Devagar, bebê coroou...e sua cabeça foi apoiada pelas mãos do papai, que foi convidado pela Ana Cris a participar ainda mais do nascimento.... e num instantinho, bebê saiu... lindona, direto pro colo do papai e da mamãe, que estava com um sorrisão estampado na cara!!
M. tinha conseguido!! Pariu em casa, no seu tempo, com seu marido perto, com a equipe que escolheu por perto, sem intervenção, sem pressa, sem violência!! Parto rápido como no primeiro, mas muito mais consciente e feliz!!
Foi um parto-susto... mas foi lindo!! Fico muito feliz de participar de eventos assim...
M. e T... muito obrigada por me receberem na casa de vocês, e confiarem em mim e nas indicações dadas. Que bebéia venha iluminar ainda mais a família de vocês!!
Um beijo no coração....

07/05/2012

Relato: Parto hospitalar após hooooras de TP

Conheci a M. numa das reuniões do Grupo Vínculo. Ela é enfermeira e estava grávida do primeiro filho. Não lembro qual foi o tema da reunião, mas ela aguardou o final para vir falar comigo. Ela queria um parto normal, o mais tranquilo possível.. e queria uma doula, pois a princípio, seu marido não a acompanharia e ela não queria ficar sozinha.
Fomos conversando ao longo da gestação, enquanto ela ia caminhando com seu pré-natal acompanhado pela Dra. Priscila. Sempre falante e animada, ia me mantendo informada sobre sua gestação... que aliás, foi redondinha e saudável. 
E então, lá no finalzinho da gestação fui conhecer sua residência e sua família. Fui muito bem recebida e vi que ali todos estavam prontos. M. estava muito tranquila só aguardando seu GT! Seu marido que a princípio não a acompanharia, topou passar com ela o trabalho de parto e estava bem mais seguro de todo processo.. Era só esperar GT dar seu start!
E então ele apertou o play! rss... Mas foi um start meio tímido! Contrações começaram, e me ligaram. Como M. tinha exame de estreptococos positivo e estava em dúvida se bolsa havia rompido de verdade, acabou passando pela obstetra, que a examinou: 2cm, trabalho de parto ainda em fase latente, bolsa íntegra... 
Mesmo numa situação beeeeeeeeeeeem tranquila, M e o marido preferiram ir para Maternidade e aguardarem o trabalho de parto evoluir. Chegando lá as contrações deram uma espaçada, então combinamos de ir conversando e assim que voltasse a engrenar eu iria para lá. 
Fomos nos falando durante o dia todo.... No início da noite, a Dra Priscila foi ver a M. e viu que ela estava na mesma situação da manhã: ainda os mesmos 2 cm, e contrações pouco efetivas. Falou de ir para casa, mas M. e F. preferiram continuar por lá.
Eu tive alguns contratempos, e consegui chegar para vê-los somente as 23h...e minha chegada deu a F. a chance de descansar um pouco. Encontrei a M. no chuveiro.... a enfermeira do andar, já havia trazido a bola, mas M. gostou mesmo era do chuveiro.
Ela estava super bem, feliz por seu trabalho de parto... Ali no banho, as contrações começaram a engrenar pra valer. Mais longas e frequentes.. Fui orientando algumas posturas para facilitar e deixar as contrações mais confortáveis, e também avisando a obstetra de como M. estava. 
Por volta das 23:50h, M. foi avaliada pela enfermeira do GO (que aliás, foi muito querida se disponibilizando em avaliar a M. na ausência da Priscila)... 5-6cm!! Que alegria!! Essa avaliação foi uma injeção de ânimo para eles, que haviam passado o dia todo naquele quarto de hospital. 
M. voltou pro banho.... coloquei a bola no chuveiro para ajudar o bebê ir descendo... Aos pouquinhos, fui vendo a M. entrar na fase de transição. A mulher falante e risonha foi ficando mais calada, concentrada.... Achei que uma música iria ajudá-la... e deixei o celular tocando, mas M. pediu para deixar em "repeat" a música Reconhecimento, da Isadora Canto. E baixinho, ficamos cantando..... devagar a vontade de empurrar apareceu.... e a dor e o cansaço de mais de 24h sem dormir começou a desestabilizá-la. Novo exame feito pela enfermeira: 8cm, bebê alto! Ela avisou a GO que estava de plantão em outra cidade..... e ficamos aguardando sua chegada!
Esses últimos minutos foram difíceis para M e F, que parecia bem preocupado com a agitação (normalíssima..rs) de sua esposa... Nesse período, M. disse que sentia que bebê não ia conseguir nascer, descer sozinho....
Dra. Priscila chegou... monitorou novamente o bebê e conversou com M, que optou por uma analgesia.. e lá fomos nós para o CO. . Analgesia feita, M. se tornou outra mulher. Aquela M sorridente, falante voltou...rss...  Logo a pediatra, Dra. Otilia, chegou para completar o time (e ficar de fotógrafa oficial, é claro! rss).
Ao novo exame, bebê continuava bem alto embora a dilatação já estivesse completa... e então fomos tentando diversas posições: cócoras, sentada, de quatro, levantando um pouco... sempre após a obstetra fazer as manobras para posicionar adequadamente a cabecinha e nada de GT vir direito!!
Mais tentativas com M. sentada... e Dra. conseguiu!! Bebê finalmente havia posicionado a cabecinha do jeito certo, possibilitando a continuação do parto..... 
M. então se posicionou entre minhas pernas, e eu apoiando seu corpo, virei novamente banqueta de parto! rs... Após graaaaaaaandes e concentradas forças, GT nasceu!! Veio lindo para o colo quentinho e suado da mamãe....... Que felicidade!!!!! Logo o marido entrou para ver seu bebê....  e uma nova família se completou!!

M e F vocês foram ótimos!! Confiaram em vocês, no tempo, no GT e nas profissionais que acompanharam vocês!!! Parabééééns!! Muita saúde, tranquilidade e leite pra vocês!!


20/04/2012

Ser mãe é o trabalho mais difícil do mundo...

 ..... Mas também é o melhor!!

Ótima sexta! =)





15/04/2012

Lição de casa

Lição de casa para todas gestantes e demais interessados:

Ler os CAPÍTULOS 81, 82 e 82 do Tratado de Fisiologia Médica - Guyton e Hall

Este livro é um tipo de "bíblia" de toda e qualquer profissão da área da saúde!! É muuuito bom e explica como tudo acontece em nosso corpo! Vale a pena gastar algumas horas estudando ele, viu??
Livro PRECIOSO!!! Aproveitem!! heheh

CAP 81 - FISIOLOGIA FEMININA ANTES DA GRAVIDEZ E HORMÔNIOS FEMININOS
CAP 82 - GRAVIDEZ E LACTAÇÃO
CAP 83 - FISIOLOGIA FETAL E NEONATAL

http://www.reproducao.ufc.br/guyton.pdf

13/04/2012

Relato: Cesárea em SP

Eu e G. somos participantes de um fórum na internet... e foi lá que nos "conhecemos". Eu postava algumas coisinhas, ela respondia e assim foi sendo criada a nossa relação.
E então um dia recebi uma mensagem dela perguntando sobre meus serviços de doula. Ela já havia procurado algumas outras profissionais, mas mesmo sem me conhecer pessoalmente se simpatizava muito comigo, e então me quis como sua doula.
Algum tempo depois, fui conhecê-la. Ela é de SP.. já tinha um filho, nascido de cesárea e agora na segunda gravidez tinha o desejo de fazer as coisas diferente.
O médico foi o mesmo da outra gestação. Cesarista assumido, mas G. o conhecia muito. Eram colegas. E ela me disse que durante todo pré-natal, falava com o médico sobre o seu desejo de ser respeitada, parir e não ter intervenções.
Até o dia do parto, G. teve alguns alarmes falsos. Íamos nos falando via internet, sms e telefone... A expectativa de ambas era grande. Ela por querer parir e eu por etar cheia de gestantes com datas prováveis do parto próximas uma da outra.
E então o dia P chegou. Contrações começaram de madrugada.. de quarta para quinta... e durante a manhã, ela me avisou que já estavam de 10 em 10 minutos. Terminei de fazer meus atendimentos, e parti para SP....
Cheguei por volta das 14h... Graças a Deus, o trânsito colaborou!!! Meu maior medo era ficar parada no meio do nada e não chegar a tempo! rss
G. estava super tranquila... contrações iam e vinham, sem grandes incômodos. Em sua casa, estavam ela, a irmã e sua mãe... Seu filho tinha ido para a casa da sogra... e seu marido estava no trabalho.
Papeamos um pouquinho, fizemos umas aplicações de acupuntura e saímos para caminhar. E caminhaaaaaaaaamos. Imaginem só uma grávida, em pleno trabalho de parto, caminhar 6 km? Pois é... caminhamos! E como duas boas gulosas, andamos tudo isso pra ir tomar sorvete! hahaha... O dia estava fresco, mas mesmo assim o sorvete foi super bom...principalmente porque G. não estava com muito apetite pra ficar se alimentando... As contrações ora se intensificavam...ora davam uma suavizada, e ela percebeu que sempre que se dispersava, pensava em outra coisa, as contrações diminuiam de intensidade....
Por volta das 18h, seu marido chegou... e todo mundo combinou de passar o restante do trabalho de parto na casa da irmã da G... porque havia uma tarefa que eles precisavam fazer lá e a casa era no meio do caminho para o hospital. Então, G. foi tomar um banho para se arrumar, enquanto sua família foi indo na frente.... ficariam aguardando a gente!!
Quando perguntei onde era a casa e que horas iríamos, ela me disse que não sairíamos dali! Ela precisava de silêncio, de sossego, de concentração... e o modo com que ela conseguiu isso foi "despachando" todo mundo e ficando sozinha comigo! G. preparou um lanche para gente... e depois fomos para sua sala. Novamente fizemos uma aplicação de agulhas, apagamos as luzes, e G. colocou sua seleção de músicas... Quase não falávamos.. E foi nesse ambiente que novamente as contrações engrenaram.... Vez ou outra fazia massagem em suas costas ou ajudava a se posicionar melhor. As contrações vinham fortes, exigindo concentração e longas respirações.... mas não ganhavam frequência. Desde a manhã, permaneciam de 10 em 10 minutos.
Ela já havia falado com seu médico durante o dia...e em seu último contato, ficaram de se encontrar por volta das 23h da noite na Maternidade. E então, partimos ao encontro do médico. Passamos na casa de sua irmã para chamá-la e também o marido... e fomos para o hospital.
Após toda burocracia, G foi examinada pela médica de plantão... e logo veio a ótima notícia: 6 cm de dilatação, colo apagado!! Ela foi encaminhada para o centro obstétrico e eu fui atrás da liberação para poder acompanhá-la. Neste hospital só entra um acompanhante, e eu entrei enquanto o marido e a irmã de G. ficaram aguardando numa sala privativa que existe lá.
Logo, seu médico chegou. Cara simpático, animado com a evolução da G. Na avaliação dele, já 7cm e bebê certamente nasceria até as 4h!! Ele tinha mais algumas pacientes para ver e disse que de vez enquando viria monitorar a G.
Uma enfermeira super gracinha, ajeitou a banheira para G. entrar... e ficamos lá.. Luz suave, música, água quentinha, e a cada contração G. respirava fundo e acocorava. Não senti a menor necessidade de fazer algo, auxiliá-la, pois ela estava maravilhosa... respondia aos pedidos de seu corpo. E ali, o máximo que podia fazer era elogiá-la.... Vez ou outra o médico vinha... conversavam. G. repetia que não queria intervenções, que estava gostando do que estava sentindo...
E eu também estava feliz de vê-la feliz, curtindo seu trabalho de parto!
E então os 8 cm chegaram, e com eles infelizmente, chegou também a pressão para a realização de intervenções. O bebê ainda estava alto, e faltava pouco para a dilatação completa. O médico disse que uma analgesia poderia facilitar muito o trabalho da G. E isso realmente é verdade... há mulheres que ficam tensas, de tanta dor e cansaço, e uma analgesia pode relaxar e facilitar o término da dilatação... porém a G não queria a analgesia. Estava bem! Conseguimos adiar um pouco...  e então para facilitar, G. aprovou o rompimento da bolsa... Médico sem pensar duas vezes fez o procedimento. Mas mesmo com a bolsa rota, as contrações e altura do bebê continuaram da mesma forma... E então, logo depois veio a analgesia.. G. questionou se faziam analgesia combinada, para continuar podendo se movimentar, mas o médico disse que isso não existia.. e então, G recebeu a peridural convencional mesmo. Mas não deu muito certo..... as dores não aliviaram, e as pernas de G. ficaram um pouco "bobas", fazendo com que ela ficasse restrita ao leito. E lógico, gestante em TP, deitada = dor muuuito mais intensa, estresse, dificuldade para ela e para bebê.
G. se descontrolou, e com a equipe toda olhando com cara de tédio, não pude fazer nada a não ser pedir para respirar lentamente para se acalmar... enquanto segurava sua mão. O médico vinha toda hora avaliar a dilatação, e por volta das 5h da manhã deu um últimato: se bebê não descesse em 40 minutos, ela iria para cesárea.... Dito e feito: nada aconteceu!
Cesárea foi indicada quase as 6h da manhã, com ela tendo 9 cm de dilatação. Motivo que o médico deu: desproporção cefalo-pélvica (que não sabemos se foi real ou não). G. ficou muito triste... e eu também! Como queria ter uma poção mágica para reverter situações como essa...
Não acompanhei a cesárea... depois de ter passado todo trabalho de parto com ela, preferi dar meu lugar ao marido. Sua presença seria muito mais importante do que a minha..
Fiquei aguardando com a irmã de G... E depois soube que bebê nasceu super bem, grandão, rosado e saudável. Não cheguei também a ver a G, pois ela ficou hoooooooooooras na recuperação... mas em minha volta pra Campinas, fiquei mentalizando sua recuperação física e emocional. Torcendo para que tudo se cure o mais rápido possível, pois sei que não é fácil sonhar 9 meses com uma coisa, e receber outra.
G... espero do fundo do coração que os momentos que vivemos juntas fiquem guardados em seu coração, e que sejam boas lembranças... E que eles te deem força para criar da melhor forma possível esse bebezão lindo aí.
Beijo no seu coração e obrigada pela confiança....
"Quando é que vamos nos dar conta que nosso foco não deve ser combater as cesarianas desmedidas e abusivas, mas melhorar a assistência ao parto de tal forma que escolher uma cesariana para ter um filho tornar-se-á a mais tola das decisões?" - "Maximilian"