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Gestação após 35 anos

Idade materna, paridade e classe social são fatores que influenciam a mãe e o feto durante a gestação.

O aumento da idade materna está relacionado ao declínio da fertilidade, havendo normalmente uma redução da mesma após os 30 anos.

De acordo com a American Society for Reproductive Medicine, aproximadamente 1/3 das mulheres entre 35 e 39 anos e 2/3 das mulheres acima de 40 anos apresentam dificuldade para engravidar, sendo a maioria dos casos de infertilidade tratados com sucesso. A despeito desta dificuldade, há maior taxa de gemelidade entre 35 e 39 anos segundo a literatura.

Vários estudos já foram feitos visando avaliar o impacto da idade materna na saúde do binômio mãe-feto.

Os dados publicados sobre o risco associado à gestação em mulheres com idade avançada são inconsistentes. Não há consenso em relação à idade a partir da qual há aumento do risco para a gestação. Os limites, inferior e superior, de idade materna que podem representar risco para a mãe e para o feto variam com o passar dos anos e de acordo com a área geográfica avaliada. Alguns autores associam a idade materna avançada a várias complicações na gestação, incluindo: abortamento espontâneo, anomalias cromossômicas, gestações múltiplas, síndromes hipertensivas, diabetes gestacional, trabalho de parto prolongado, complicações no período expulsivo (expulsão do feto) do trabalho de parto, sangramentos anormais, baixo peso ao nascer, óbito fetal intraparto e maior mortalidade neonatal. No entanto, a maioria dos trabalhos que avaliou o papel da idade materna em relação às complicações gestacionais não levou em conta a influência de outros fatores mais prevalentes em mulheres com idade avançada como maiores taxas de doenças crônicas, menor atividade física e tabagismo. Jolly et al, 2000, fizeram uma das maiores revisões da literatura (385.120 gestantes) comparando grupos de 18-34 anos, 35-40 anos e mulheres com mais de 40 anos e observaram maiores taxas complicações maternas em pacientes com mais de 35 anos.

Em 1958, o Council of the International Federation of Gynecology and Obstetrics recomendou que a idade de 35 anos fosse aceita como padrão internacional para caracterizar a nulípara idosa.

Atualmente, há uma tendência crescente do aumento do número de mulheres com primeira gestação com mais de 35 anos.

A idade materna avançada deve ser considerada mais como um indicador de risco (termo que se refere identificação de população sob maior risco de ter determinada doença) do que um fator de risco (termo que se refere a uma variável envolvida na fisiopatologia de uma doença).

O risco de anomalias cromossômicas, particularmente a trissomia do cromossoma 21 ou Síndrome de Down, aumenta com o aumento da idade materna. Como 40-60% dos casos de abortamento espontâneo têm como causa as aneuploidias (= anomalias cromossômicas), há maior taxa de abortamento em mulheres com idade avançada.

Risco de Anomalias Cromossômicas
por nascidos vivos x Idade Materna

Idade Materna

Trissomia 21 no parto

Todas as anomalias
cromossômicas no parto

20

1/1734

1/526

25

1/1250

1/476

30

1/965

1/385

35

1/386

1/192

40

1/110

1/66

45

1/31

1/21

49

1/11

1/8

As aneuploidias decorrentes de idade materna avançada estão principalmente relacionadas à não-disjunção de cromossomas durante a divisão do óvulo.

O American College of Obstetricians and Gynecologists recomenda, para gestantes com mais de 35 anos, o oferecimento do aconselhamento genético com especialista e a análise do cariótipo fetal (o qual pode ser feito através da Biópsia de Vilo Corial ou da Amniocentese). A escolha do melhor momento para se fazer à avaliação do cariótipo fetal deve considerar a taxa de abortamento de primeiro trimestre nessas pacientes.

Outro ponto importante a se considerar é a taxa de complicações intra-parto neste grupo de gestantes o que torna imprescindível uma monitorização atenta do trabalho de parto.

Por ser mais comum a existência de doenças preexistentes acima de 35 anos, como a hipertensão e o diabetes, o acompanhamento adequado e escolha do melhor medicamento a ser usado nas pacientes com essas patologias, iniciados antes da concepção e continuados durante a gestação podem reduzir os riscos associados a essas doenças.

Pontos favoráveis para a primiparidade acima de 35 anos são descritas na literatura, como maiores taxas de amamentação, estabilidade emocional e financeira e experiência de vida, quando comparadas a primípara jovem.

O acompanhamento pré-natal dessas gestantes normalmente não precisa ser diferente do acompanhamento das demais grávidas. Condutas comuns a um pré-natal de qualidade (controle clínico e medicamentoso de doenças preexistentes antes e durante a gestação, o uso de ácido fólico 30 dias antes da concepção e até o terceiro mês da gestação, alimentação adequada, atividade física regular com orientação, proibição do álcool e tabaco) associadas ao planejamento da gestação podem minimizar os possíveis riscos inerentes às gestante com mais de 35 anos.


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