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Parto normal ou cesárea? - Resposta à Folha!!

Esses dias o Dr. Antonio Carlos Lopes escreveu na Folha um infeliz artigo sobre o parto. Lógicamente que houveram respostas!! E duas delas estão aí.. Vale a pena ler!!!!!

À Folha de São Paulo,

Ref. Artigo do Professor Antonio Carlos Lopes.

Apesar da grande admiração e respeito pelo distinto professor de nossa querida Escola Paulista de Medicina, e concordando com muito do que o digníssimo docente escreve, segue a reflexão abaixo a título de contribuição à formação de opinião de seus leitores.

Cordialmente,
Dr. Jorge Francisco Kuhn dos Santos
Médico Obstetra e Ginecologista
Professor Assistente do Departamento de Obstetrícia da Unifesp - Escola Paulista de Medicina


Parto normal ou cesárea?
JORGE FRANCISCO KUHN DOS SANTOS

"A mulher deve ser incentivada a exercer o protagonismo ativo no processo de dar à luz e acompanhada por profissionais de saúde capazes de lhe dar amplas condições de tomar decisões compartilhadas.
O PARTO, além de ser um ato fisiológico, é também um evento familiar, pessoal e sagrado e, em mais de 80% dos casos, não deveria ser um ato médico. A CESÁREA, indicada em 10 a 15% dos casos como recomenda a OMS (Organização Mundial da Saúde), é uma cirurgia de grande porte e maior risco, portanto, somente deveria ser realizada no intuito de salvar a vida da mãe e/ou do bebê ou de evitar risco de dano à integridade da unidade mãe-bebê.
Os índices de cesárea no país e no mundo vêm crescendo, é verdade, na maioria das vezes por razões de conveniência do médico ou da mulher. Devemos aplaudir todas as tentativas de normalizar a situação e incentivar o parto normal, como a recente iniciativa da ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), que traz um conjunto de medidas tais como o direito à parturiente de escolher o acompanhante durante o trabalho de parto e o pós-parto imediato e a liberdade de escolha quanto à posição em que dará à luz, entre outras. Outras medidas de incentivo ao parto normal são a construção de mais casas de parto, não só para as mulheres menos favorecidas, e a criação de mais cursos formadores de boas parteiras e enfermeiras obstetras.
Quais seriam as situações em que o médico tem, necessariamente, de optar pela cesárea? Embora em alguns casos essa decisão possa ser tomada com antecedência, ainda durante o pré-natal, como nos casos de placenta prévia centro-total, na grande maioria das vezes ela só pode ser tomada durante o trabalho de parto, como no herpes genital ativo. Falta de dilatação do colo uterino antes do trabalho de parto efetivo, cesárea prévia, bacia estreita, bebê grande e gestação gemelar NÃO são razões para a realização de uma cesárea!
Caso a cesárea seja de fato necessária, aí, sim, ela estaria indicada, e não como vem acontecendo atualmente no Brasil, mormente no serviço privado, em que 80 a 90% das grávidas têm sido submetidas, na imensa maioria dos casos, ao que é conhecido por "desneCesárea".
A mãe, plenamente informada sobre a evolução de um parto ainda durante as consultas pré-natais, terá ampla participação durante o processo e condições de tomar decisões compartilhadas com o profissional de saúde. A palavra do médico, sua experiência cotidiana e a bagagem de conhecimento científico valem muito, evidentemente; contudo, há exaustiva literatura científica que aponta ser a parteira a melhor profissional para acompanhar um parto normal numa gestante de baixo risco. Ao médico caberia o atendimento aos 10 a 15% em que estaria justificada a operação cesariana e aos 5% dos casos em que seriam necessárias intervenções tais como o fórcipe e a vácuo-extração.
Humanização? Sim! Não humanização do parto, pois este já é um evento humano e nós, profissionais de saúde, não somos desumanos, mas humanização da assistência ao parto e nascimento, evitando procedimentos muitas vezes ineficazes, danosos e dolorosos.
Para finalizar, devemos melhorar também a formação dos médicos, pois estes comumente terminam a residência com uma visão muito distorcida de um evento natural, o parto."

JORGE FRANCISCO KUHN DOS SANTOS, 54, é professor assistente do departamento de obstetrícia da Unifesp/EPM (Universidade Federal de São Paulo/Escola Paulista de Medicina), plantonista do Hospital e Maternidade Leonor Mendes de Barros, do SUS, e que acompanha partos há 33 anos.

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Normal ou cesárea
NÁDIA ZANON NARCHI

"A respeito das declarações sobre parto normal ou cesárea ('Tendências/Debates', 12/9), de Antonio Carlos Lopes, professor titular de clínica médica, provavelmente desconhecedor da moderna obstetrícia, é lamentável verificar que se manifeste de forma tão infeliz:
1º) Contra as mulheres e os direitos humanos das mulheres, ao alegar ser o parto um ato médico e duvidar das condições das grávidas para tomar decisões no processo de dar à luz. Esclareço ao ilustre doutor que o parto não é ato do médico, do enfermeiro ou do parteiro; pertence à mulher e à sua família. Ainda, que gestação e parto não são doença, que as mulheres não precisam de atos beneficentes para conseguir parir. Elas são cidadãs autônomas e, por isso, perfeitamente capazes de partilhar decisões com os profissionais que as assistem, especialmente se estiverem acompanhadas por familiares e/ou amigos.
2º) Contra os princípios da humanização da atenção ao parto. Informo ao renomado que a humanização envolve um conjunto de conhecimentos, práticas e atitudes visando, fundamentalmente, respeito e promoção dos direitos das mulheres num contexto em que as rotinas assistenciais e o uso de recursos tecnológicos se adeqüem ao que é comprovado como eficiente e não-maléfico pelas evidências científicas. Este não é o caso das cesáreas realizadas unicamente em função de comodidades profissionais ou pessoais.
3º) Contra o curso de formação de parteiras. O evidente preconceito contra as mulheres e sua capacidade, contra as evidências científicas produzidas por profissionais renomados na obstetrícia, contra o movimento mundial pelo parto respeitoso e em ambiente mais acolhedor, como é o caso das casas de parto, não surpreende. Ressalto ao douto professor que esse curso da Universidade de São Paulo foi criado por obstetrizes e enfermeiras obstetras, descontentes com o quadro tão sofrido da atenção ao parto no Brasil, mas esperançosas pela mudança, que há de vir, a despeito do jogo vil, cuja estratégia baseia-se em falar mal sem conhecer, confundir a população por meio de explicações vagas ou rebuscadas, destruir mais uma profissão antes que haja perda de controle ou poder."

NÁDIA ZANON NARCHI, docente do curso de obstetrícia da Universidade de São Paulo (São Paulo, SP)

*Fonte: Folha de SP



Comentários

Carla Beatriz disse…
Renata,

Temos mesmo que divulgar estes textos, para que as pessoas saibam que escolher uma cesárea não é tão simples assim ...

Beijos
Quando o filho de você morra por conta destas praticas que so conhecem da ideologia e não da ciencia baseada em evidencia cientifica, vai entender o risco destas posturas machistas (mulher cobarde...) e que obrigam as mulheres a asumir riscos disnecesarios apos da semana 40.

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