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Países da América Latina e Caribe fazem cesarianas acima do limite estabelecido pela OMS

Embora exista uma taxa estabelecida pela Organização Mundial de Saúde (OMS) no que diz respeito às operações cesarianas, a maioria dos países da América Latina e Caribe segue extrapolando o índice recomendado. Para conscientizar as mães e os médicos sobre a importância do parto normal, a Rede Latino-americana e do Caribe para a Humanização do Parto e Nascimento (Relacahupan) está realizando uma campanha para alertar sobre a situação de epidemia de cesarianas.

A campanha acontece através de cartazes e spots disponíveis no site da Rede (www.relacahupan.org) e faz parte das atividades da Semana Mundial por um Parto Respeitado, que, neste ano, acontece entre os dias 11 e 17 de maio com o lema: "Pela urgente diminuição das cesarianas desnecessárias". A Semana Mundial por um Parto Respeitado acontece desde 2004 em vários países do mundo, sempre no mês de maio.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que as taxas de cesarianas nos países sejam em torno de 7% a 10%, não passando de 15%. Entretanto, há uma "epidemia mundial" de cesarianas no mundo. Um estudo encomendado pela OMS e publicado, em 1999, no British Medical Journal, de autoria de José Belizan e colegas, demonstrou que, em 19 países da América Latina mais de 850.000 cesarianas desnecessárias eram realizadas por ano.

No Brasil, essa taxa é ainda mais alarmante. Segundo dados de 2006 da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), em média, 80% dos partos realizados pelo setor privado de saúde são cesarianos. Para Clarice Andreozzi, uma das coordenadoras da rede Parto do Princípio, em Brasília, um dos principais fatores do alto índice de cesarianas realizadas é a falta de informação da mãe.

O medo da dor, as conveniências de tempo e financeiras para o médico e o receio do parto comprometer futuras relações sexuais são alguns fatores que levam mães e médicos optarem pela cesariana. Entretanto, deve-se levar em consideração que as cesarianas são cirurgias e, como tais, não são isentas de complicações para a mãe e para o bebê.

Além disso, o custo das cesarianas ainda é maior e transforma o momento do parto - que é um ato natural, fisiológico - em um ato operatório. De acordo com Clarice, o corpo da mulher grávida é fisiologicamente formado para o parto normal, o que traz benefícios tanto para a mãe quanto para o bebê. Ela considera que falta mostrar à população os benefícios do parto normal e os riscos da cesariana.

A coordenadora do Parto do Princípio comenta que até a recuperação do parto normal é mais rápida, possibilitando o maior contato entre mãe e filho. "Horas depois do parto, já estava pronta para ter a vida normal, claro que respeitando o resguardo", declara. Diferente do que acontece na cesariana, em que a mulher passa mais tempo para se recuperar da cirurgia: "o que eu observo é que no dia seguinte a pessoa ainda mal consegue andar".

Mãe de quatros filhos, todos de parto normal, Clarice acredita que, através da conscientização das pessoas, é possível diminuir o número de cesarianas desnecessárias e, assim, valorizar o parto normal. "É importante ter esse momento respeitado", considera.

A campanha pela diminuição de cesarianas desnecessárias acontece através de cartazes e spots que podem ser baixados no site da Relacahupan: http://www.relacahupan.org/semana2009.htm.


*Fonte: EntreBairros


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