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Reportagem com a Pati Merlin, colega da Rede Parto do Princípio lá de Maringá!


A preferência deve ser pelo parto normal. Cesárea é um procedimento a ser adotado quando não há outra opção.


Elaine Utsunomiya
elaine@odiariomaringa.com.br



Os avanços tecnológicos que permitem a realização de cirurgias cada vez mais precisas dão a falsa sensação de que a cesárea é um procedimento sem qualquer risco.

A comodidade de poder escolher o dia do parto, o medo da dor e os muitos mitos infundados que assombram as gestantes levam as mulheres a descartar a forma mais natural de dar à luz.

O que as gestantes ignoram é que a cesárea, como qualquer intervenção cirúrgica de porte semelhante implica em uma série de riscos tanto para as mães, os bebês e em futuras gestações.

É essa a tônica da Semana Mundial pelo Respeito ao Nascimento 2009, que terminou na última sexta-feira e teve como slogan “Diga não à cesárea desnecessária!”.

Em Maringá, a semana - que terminou no sábado - foi marcada por uma exposição de fotos de mulheres da cidade e região no momento do nascimento dos filhos, por meio de parto normal ou ativo.

“Felizmente a cesárea existe, mas deveria ser um recurso utilizado apenas nos casos indicados, como por exemplo, em havendo risco de vida à mãe ou ao bebê, sendo uma exceção e não uma regra”, diz a doula Patrícia Merlin, coordenadora da exposição e integrante da Rede Parto do Princípio, que promoveu exposições simultaneamente em várias cidades brasileiras, para estimular a amentação na primeira hora de vida, o parto humanizado e o fortalecimento do vínculo afetivo entre mãe e filho.

Cesárea também dói

“É uma ilusão achar que só o parto normal é dolorido. O parto cirúrgico também provoca dor”, diz a doula Patrícia Merlin, mãe de Pedro, 5, que nasceu por meio de cesárea e de Luiza, 10 meses, parto natural.

Segundo ela, que também coordenou a exposição de fotos em alusão à Semana Mundial pelo Respeito ao Nascimento, quando o parto transcorre sem complicações, a mulher vivencia uma das experiências mais profundas e plenas da vida e o vínculo com o bebê se consolida mais facilmente.

“Logo que a Luiza nasceu, eu a acolhi sob os braços e olhei para o rostinho dela. Isso fortalece o vínculo. Com o Pedro foi a mesma coisa, mas nem todas as mães submetidas à cesárea e que ganham o filho no hospital tem essa oportunidade, pois os bebês são levados pelo pediatra”.

Além dos riscos do parto cirúrgico (veja mais no quadro ao lado), Patrícia destaca a diferença entre o tempo de recuperação dos procedimentos. “No parto ativo eu já caminhava no dia seguinte e na cesárea, ainda sentia dores (nos locais dos pontos) um, dois meses após a cirurgia”.

Mais do que retomar a rotina mais cedo ou poder abraçar e dar de mamar ao bebê, logo após o nascimento, o parto humanizado - que é preconizado pela Rede Parto do Princípio - é dar liberdade de escolha.

“É preciso levar informações para as gestantes decidirem onde ter o bebê, qual acompanhante quer ao lado na hora do trabalho de parto e no parto, liberdade de movimentação antes do parto e em que posição é melhor na hora do nascimento”, finaliza.


Saiba mais

Parto do Princípio é uma rede de mulheres, consumidoras e usuárias do sistema de saúde brasileiro, que oferece informações sobre gestação, parto e nascimento baseadas em evidências científicas e recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS).

Conta hoje com mais de 300 pessoas trabalhando voluntariamente, em 16 Estados e no Distrito Federal, na divulgação dos benefícios do parto ativo.

Em Maringá, o trabalho é coordenado por Patrícia Merlin. Ela procura um espaço para a realização de reuniões quinzenais ou semanais para orientar gratuitamente mulheres que pretendem engravidar ou estão grávidas sobre os benefícios do parto natural.

Mais informações: patimerlin@partodoprincipio.com.br.


Normal X Cesárea
* Riscos da cesárea para a mãe: maior risco de morte materna em decorrência da cirurgia (2,8% maior na cesariana eletiva - realizadas antes do trabalho de parto - quando comparada ao normal). Maior chance de desenvolver infecção e depressão pós-parto.
* Riscos da cesárea para o bebê: contato tardio com a mãe, maior probabilidade de desenvolver asma, bem como de fracasso no aleitamento materno.
* Riscos da cesárea para gestações futuras: aumento da taxa de infertilidade, maior possibilidade de ruptura uterina e descolamento da placenta.
* O que se critica não é o método em si, mas o uso indiscriminado.
* A princípio, a cesariana é indicada para todos os casos em que o parto normal represente um risco para o bebê ou para a mãe.
* Os benefícios do parto normal são inúmeros, tanto para a mãe como para o bebê. Vão desde a uma melhor recuperação da mulher e redução dos riscos de infecção hospitalar até a uma incidência menor de desconforto respiratório do bebê - sem contar que as despesas são menores, por conta do tempo de internação.
* No Brasil, existe o mito de que após a realização de uma cesárea as mulheres não podem ter um parto normal. Isso ocorre pela falta de informação, tanto das gestantes quanto de profissionais de saúde não treinados para acompanhar um parto normal em mulheres que já tenham passado por essa cirurgia.
* 79,7% dos partos no setor privado são cesarianas. Já no setor público, a taxa é menor, de 27,5%, ainda assim, o dobro do recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), segundo dados do Ministério da Saúde.

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