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Grávida que larga fumo tem risco igual ao de não fumante, diz estudo

Mulheres que param de fumar antes da 15ª semana de gestação apresentam o mesmo risco de ter um parto prematuro e de dar à luz um bebê pequeno do que as não fumantes, concluiu um estudo publicado no "British Medical Journal".

Os autores avaliaram mais de 2.500 gestantes na 15ª semana de gestação. Elas foram divididas em três grupos: não fumantes, fumantes e aquelas que abandonaram o cigarro durante a gestação. Todas as mulheres do grupo que parou de fumar o fizeram antes de chegar à 15ª semana.

Os resultados mostraram que a taxa de parto prematuro entre as gestantes que pararam de fumar e as não fumantes foi a mesma (4%), enquanto as fumantes apresentaram um risco maior, de 10%. Um resultado similar foi encontrado em relação ao tamanho do bebê: 17% das fumantes e 10% das não fumantes e das que largaram o vício tiveram uma criança com baixo peso ao nascer.

Para o pneumologista Jonatas Reichert, membro da comissão de tabagismo da Associação Médica Brasileira, trata-se de uma pesquisa importante, mas é necessário que outros estudos confirmem a descoberta. "Esse trabalho vem contra a ideia que já tínhamos, de que uma circulação sanguínea reduzida [em consequência do tabagismo] durante a formação do feto tem como resultado uma criança de baixo peso, menor do que as outras."

Reichert diz que o resultado não pode ser um pretexto para a mulher continuar fumando.
"Mas, por outro lado, alivia a preocupação das mães que não conseguem parar de fumar no início da gestação", afirma.

Na opinião do pneumologista Ricardo Henrique Meirelles, do Programa Nacional de Controle do Tabagismo do Inca (Instituto Nacional de Câncer), a pesquisa corrobora o que já se conhecia sobre os efeitos do tabagismo na gravidez. "Não se sabia quanto tempo a gestante poderia fumar de forma a correr menos riscos, por isso sempre defendemos que, quanto mais cedo, melhor", diz. Para ele, o ideal é cessar o fumo imediatamente após a descoberta da gravidez. "Não precisa esperar até a 15ª semana."

Na pesquisa, as fumantes se encaixaram com mais frequência no perfil de mães solteiras, desempregadas, com menor grau de instrução e peso acima ou abaixo do normal.

Vários estudos já provaram os efeitos prejudiciais do cigarro na gestação, como maior risco de aborto, parto prematuro, bebê pequeno, morte súbita do recém-nascido, bebê natimorto e prejuízo no desenvolvimento da criança.

*Fonte: Folha Online

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