Por que procurar um GO humanizado??

Texto longo, mas bem bacana!



Você gosta de mamão. Eu gosto de maçãs. A questão é subjetiva, portanto. Mas se comer mamão é o que eu preciso para soltar o intestino, eu comerei mamão. Não maçãs. Portanto isso já não é mais subjetivo. É um fato, por necessidade. O mamão é laxante, e a maçã, constipante. Não é uma escolha minha: são as propriedades das frutas que decidem qual o melhor caminho para mim.

Você prefere uma cesariana e sua amiga um parto normal. Isso não apenas não é subjetivo como também não é uma questão de escolha. A subjetividade é algo que, na ciência, não existe. A ciência é a ciência. Não se pode dizer que fumar é algo bom para o organismo porque a ciência provou o contrário.

No que tange ao parto, qual a relevância disso?

Devemos nos ater ao FATOS CIENTÍFICOS. Resultados de pesquisas rigorosamente controladas. De teses publicadas, de experiências acompanhadas, cujos resultados são levantados e expressos em dados, em estatísticas. E a ciência provou que a papaína, contida no mamão, é uma enzima com propriedades laxantes.

Um bom médico é um médico que se atém a esses fatos. Mas identificar seu médico como um bom médico só é possível saber SE VOCÊ SOUBER quais são essas evidências científicas. Um médico não pode ser definido como BOM pela sua simpatia. Pelo seu consultório. Por fazer ultrasonografias em cada consulta (Não existem estudos que comprovem que uma US não influencia no desenvolvimento do bebê). Não estou apregoando que um bom médico não seria simpático contigo, pelo contrário! Mas é fato que não é isso que o define como um médico a quem você poderá confiar sua gestação.

Há médicos que se dedicam ao respeito pelas mães e bebês no ato do nascimento, encarando o parto normal como algo realmente natural, e só fazendo cesarianas nos casos de REAIS necessidades. Por outro lado, há médicos que fazem da cesariana algo corriqueiro e habitual, expondo mulheres e seus bebês a uma cirurgia desnecessária que apresenta riscos muito maiores de mortes neonatais e maternas do que em um parto normal.
Por que os médicos fazem isso? São malvados?

A Organização Mundial da Saúde (OMS) diz que cesáreas só devem ser feitas em casos muito específicos. Por que então, mesmo assim, muitos médicos (a maioria deles, em nosso país) PREFERE fazer uma cesárea na sua paciente sem que ela precise, apesar de a OMS condenar veementemente esta prática?

As razões para o altíssimo número de cesáreas desnecessáreas no Brasil são muitas.

1 - Remuneração melhor - Médicos recebem mais, senão o dobro, para fazer uma cesárea do que um parto normal, pelo convênio. Mas a coisa está mudando. Enquanto não sairmos desse gerúndio, a motivação financeira deve ser relembrada e exaltada.

2 - Tempo - Uma cesariana não leva mais de 1 hora para ser feita. Um parto normal pode levar duas, cinco, dez horas, mais! Isso derrota a agenda do mestre, força desmarcar várias consultas, acordar de madrugada, retirar-se de algum evento, ficar de sobre-aviso "APENAS" porque um PN é a melhor eventualidade. Bem, lógico que entra dinheiro também nessas consultinhas desmarcadas - "Tempo é dinheiro"...

3 - "Salve a Tecnologia!" - A tecnologia dá a falsa segurança de que sempre tornamos um evento melhor do que ele poderia ser. A cesárea está neste rol. Ela só deveria ser realizada quando os riscos dela característicos fossem MENORES que os do parto normal, o que nos casos específicos representa menos de 2 casos a cada 10 mães. Essa visão unilateral da tecnologia como algo sempre bom é a mesma que faz com que tenhamos uma televisão no nosso quarto e nenhum livro na nossa cabeceira. A tecnologia que trouxe a cesariana até nós, como meio de resolver casos em que um parto é inviável, é a mesma que hoje causa problemas por acontecer em demasia - Mortes neonatais, maternas, aumento do desconforto respiratórios em bebês, dentre vários outros.

4 - A cultura da dor - Muitos médicos não têm muito trabalho para convencer suas pacientes a fazer uma cesárea. Muitas vezes elas mesmas colaboram, pois têm medo do parto normal por estarem expostas a uma cultura escabrosa, que expõe femmes urrando de dor nos filmes e novelas desde pequenininhas. A cultura da dor é a mesma cultura que AJUDA A TER DOR, haja visto que as mulheres que seguem para a hora de seus partos sem medo acabam tendo dores amenas ou até mesmo NÃO SENTINDO DORES. Ainda assim, essas mulheres encontram mais médicos inclinados à resolver essa "dor" com uma cesárea do que ao parto com analgesia. Por que será, não?

5 - Protagonismo no nascimento - No Parto Normal, quem atua é a mãe. Ela é a protagonista. O médico é uma pessoa que está ali para dar assistência. Na cesárea, quem faz o nascimento é o médico, e a mãe é APENAS espectadora. "Ah... o doutor... Ele tem incrível fascínio por ser o 
dono. Por dominar o nascimento, por recepcionar e ter a sensação de que ele
 trouxe o nascimento. 

Ele o fez. Um mágico com poderes de transformar barrigas contráteis em bebês que
 choram. E lá se vai o doutor pelas sete camadas buscar o coelho no fundo do
chapéu e comemorar a realização de mais um "show da vida" ao fim do
curativo.

 (...) 
Felizmente pode dar seu show em horário nobre, com tudo programado e
 estéril, com a rapidez e eficiência exigidos pelo mundo moderno.
" (Dra Quesia Tamara, médica obstetra humanista em MG).

6 - O dito "sofrimento obstétrico" - Os graduandos da medicina estão sempre sob a pressão do "controle total". Um ambiente em que se aprende a ter total domínio das circunstâncias, em que você é coagido pelo medo de errar, não colabora para que formandos vejam o parto normal como um acontecimento controlável. O medo do "imprevisível" não seria justificável diante de formações sólidas, que partissem de evidências incontestes ao invés do medo pela ameaça de não dominar uma intercorrência futura.

7 - A coercitividade do sistema - Médicos que consigam lutar contra a maré dos motivos expostos acima são frequentemente perseguidos, ultrajados e condenados por muitos de seus colegas.
8 - Formação profissional desconexa dos interesses da população - Faculdades do nosso país, ao invés de produzirem ciência, têm sido cada vez mais órgãos de perpetuação de práticas viciadas. Servimos cada vez mais, em nossos laboratórios públicos, ao interesse de empresas privadas e não aos da população. É na Universidade que se faz ciência. Entretanto as nossas estão cada vez mais expostas aos ditames do mercado - Nestlé e outras grandes corporações pagam para que façamos pesquisas que sejam de seus interesses - Não dos nossos. Aliás, seria uma coincidência que nenéns nascidos pela cesárea sejam iniciados no NAN (Nestlé) com maior frequência do que os nascidos de parto normal? O parto normal favorece o aleitamento materno. Qual a implicância de um maior número de cesáreas para a indústria alimentícia, assim sendo?

A subjetividade faz o mundo mais colorido, é a expressão da diversidade ora oculta, ora exposta. Mas em se tratando do seu corpo, do seu bebê e da vida de ambos, será que confiamos os mesmos à ciência ou à subjetividade dos palpites médicos - formados, coagidos, remunerados e tecnologicamente influenciados por essas circunstâncias?

Procure um GO humanizado!
por Mariah Araújo

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