Sexualidade: Dá para ter relações durante a gravidez?

Mais uma postagem sobre sexualidade na gestação!!!




“Tenho medo de machucar o bebê”, você certamente já ouviu alguém dizer. Embora saiba que este receio não tem fundamento, muitas vezes ele acaba servindo para justificar o desinteresse pelo sexo. Há grávidas também que experimentam um tal sentimento de plenitude, que a inclusão de uma outra pessoa, o companheiro, não é necessária. Basta que existam ela mesma e o bebê que carrega dentro de si. Ao contrário, existem aquelas cujo impulso sexual aumenta durante os nove meses. Como se o fato de se sentirem férteis representasse um elo a mais, ligando-as ao parceiro e atiçando o desejo. E a diversidade não pára por aí. É fácil encontrar quem oscile de um extremo a outro: sexo a toda hora, sexo raramente. Ou então as que se sentiram bastante sensuais nos primeiros tempos, para esfriarem depois, quase por completo.

Emoção e atração
O turbilhão de sensações vividas durante a espera de um filho não é privilégio da mulher. Depois da euforia com a notícia, o futuro pai se debate entre mil novas preocupações. Uma das principais certamente é esta: “Darei conta de todos os compromissos financeiros, materiais e emocionais envolvidos no futuro que me espera?”. Eles também demonstram reações contraditórias diante da gravidez. Muitos homens garantem que jamais se sentiram tão atraídos pelo corpo da mulher, enquanto uma boa parte se comporta de forma contemplativa, como se estivesse diante de um ser sagrado. Não raro, se reportam a uma sensação estranha: é como se houvesse um terceiro participando do ato sexual.

Períodos delicados
O primeiro trimestre, geralmente, é marcado por alterações que afetam a tranqüilidade e a disposição da mulher, como enjôos e vômitos. No terceiro, já com a forma e o funcionamento do seu corpo bastante modificados, ela está ainda sujeita a preocupações, como o medo do parto e a segurança do neném. O quarto, o quinto e o sexto meses, marcados por mais estabilidade, são considerados ideais para que os parceiros grávidos retomem, de modo semelhante ou até melhor do que antes, seu relacionamento íntimo. Muitos casais enfrentaram dificuldades e descobriram que podem ser superadas. Não se assuste, porém, se alguém disser que nunca teve uma atividade sexual tão intensa quanto na gravidez.

Cuca e cansaço
Fatores inconscientes, como a noção de que o sexo existe para a reprodução, também contribuem para o afastamento sexual dos casais grávidos. Estando a mulher à espera de um bebê, o sexo seria entendido como dispensável. O cansaço não deixa de ser outro fator de risco respeitável. Há situações em que um dos parceiros precisa de repouso, deixando o sexo de ser sua prioridade. Mas este momento passageiro nem sempre decreta a distância física do casal. Afinal, carinho e aconchego têm muito valor.
Nessas horas, além do amor e do carinho, requisitos como disciplina e organização também devem fazer parte da vida em comum. Assim como garantem a sobrevivência das instituições, eles ajudam o casamento (também uma associação) a se organizar. É dessa forma que o casal consegue administrar seu tempo diante das inúmeras solicitações do dia-a-dia. E pode garantir espaço para uma vida sexual prazerosa e saudável.

Soluções explícitas
Quem vive problemas deve buscar orientação com o obstetra, o psicólogo ou o sexólogo. Também costuma ser valiosa a troca de experiências com um grupo de gestantes. O importante é que o casal aceite o sexo fora do modelo convencional, baseado na necessidade pura e simples do orgasmo. Livres de tabus, eles podem manter a vida sexual de maneira criativa, equilibrando seus desejos com as reais possibilidades desta fase de espera do bebê. Parceiros disponíveis para identificar e solucionar dificuldades passam por constantes transformações. E saem ganhando cumplicidade e união.

Nada como antes
A gestação modifica inevitavelmente uma relação, revelando aos parceiros um de seus fundamentos mais sólidos: eles podem ser a fonte de uma nova vida. Esta realidade de agora parece ter a magia de não deixar nada como antes. A intensidade do desejo e as formas de exprimi-lo, é claro, não escapam deste momento de transformação. Não há mandamentos, fórmulas, regras fixas. Cada casal descobrirá a sua linguagem, uma freqüência e uma maneira própria de viver os encontros de amor. É bom lembrar que a sexualidade humana é sempre uma experiência sujeita a mutações, sensível aos humores do momento, imprevisível, variável, incerta. E isso vale para todos, e não só para os grávidos.

Nove meses de amor. E por que não?

Nesse momento marcante, o sexo pode ganhar um sentido de realização e plenitude, difícil de ser vivido em outras oportunidades. Quanto mais positiva a visão do casal em torno da gestação, mais significado terá sua vida sexual. Há quem use essa fase para justificar problemas anteriores (e de outras origens) em seu relacionamento íntimo. Para recuperar o fio da meada e remover a real inibição ligada ao seu erotismo é importante que sejam sinceros e, sempre que possível, busquem uma ajuda especializada.
Mesmo em pleno terceiro milênio, observa-se uma queda significativa das relações sexuais durante o período de gravidez. Isto ocorre devido a razões psíquicas, morais, emocionais e principalmente pelo medo de machucar o bebê com o pênis. Embora esta preocupação seja normal, não existe qualquer perigo de que isso aconteça, pois o pênis não chega nem perto do bebê. Durante a relação sexual, o bebê fica muito bem protegido pelo líquido amniótico, pelos fortes músculos do útero e por um tampão mucoso espesso que fecha o colo do útero.
Em princípio, qualquer mulher grávida, com exceção das que apresentam casos como placenta prévia, sangramento, história de abortos espontâneos e em que a gravidez é considerada de alto risco, pode manter relações sexuais. Entretanto, se por algum outro motivo o médico proibir o sexo com penetração, o casal pode e deve procurar outras fontes de prazer. A masturbação e o sexo oral, por exemplo, são ótimos substitutos. Mas é importante ficar atenta. Qualquer alteração, como sangramentos persistentes e dores durante o ato sexual, deve ser comunicada ao médico com urgência.

O sexo fica proibido nestes casos
Sangramentos vaginais - Na maioria das vezes, não envolvem riscos, mas é bom conversar com seu médico.
Placenta baixa - Pode ser aconselhável uma abstinência sexual temporária.
Contrações antes da hora (em geral, no segundo trimestre) - Através de um exame, o obstetra avalia se o colo do útero está dilatado por uma laceração prévia, o que causa uma sensação de peso no períneo, entre outros sintomas. Neste caso, opta por fechá-lo artificialmente (cerclagem), recomendando abstinência em período a ser definido por ele.
Trabalho de parto prematuro - Se há esta ameaça em torno do sétimo ou do oitavo mês, a gestante é medicada. O médico pode pedir ainda exames que registrem a ocorrência de contrações. Aconselha-se evitar relações sexuais até o nascimento do bebê.

Dificuldades podem ser contornadas
As maiores dificuldades para o sexo na gravidez costumam ser atribuídas a mudanças físicas da mulher, como o aumento dos seios ou a maior produção de secreção vaginal. Essas dificuldades, no entanto, podem estar sendo influenciadas por desinformação, crenças e preconceitos, como:
A chamada síndrome da Virgem Maria - Trata-se da inibição do homem para manter relacionamento sexual com uma pessoa que, prestes a se tornar mãe, ele considera santa.
O conflito da maternidade - É outra reação freqüente no homem, que vê na parceira grávida o reflexo da própria mãe. Nas primeiras semanas depois do parto, ela também corre o risco de ser absorvida, quase inteiramente, por esse papel.
As supostas limitações físicas que a gravidez impõe à sexualidade e ao prazer - Acreditando que causarão prejuízos à gestação, os parceiros se inibem e quase sempre se retraem.
O medo de machucar o bebê - Este entendimento que, segundo os especialistas, é um engano comum, pode ser observado até em pessoas consideradas bem esclarecidas.

Caminhos do prazer
Durante a gravidez, a mulher sofre inúmeras transformações físicas e psicológicas, o que faz com que cada fase seja bastante diferente da outra. Estas transformações, além de alterarem muito a sexualidade da mulher, também podem interferir no ritmo sexual do casal. Para alguns casais, a gravidez significa um desligamento total do sexo, enquanto para outros representa um dos melhores períodos do relacionamento sexual, porque é justamente nela que se pode fazer sexo sem se preocupar em tomar pílulas ou usar qualquer outro tipo de anticoncepcional.

Mudanças durante a gravidez
No primeiro trimestre, geralmente a mulher perde a vontade de fazer sexo e se afasta fisicamente do parceiro, porque tem medo de um possível aborto, os enjôos e as náuseas ficam mais freqüentes, seus seios ficam doloridos e muitos outros desconfortos aparecem. Quanto ao homem, além de várias outras razões, às vezes acaba perdendo o desejo por sexo porque vê sua mulher apenas como mãe, deixando de considerá-la também como parceira sexual, ou então encara a gravidez como sinônimo de fragilidade, e isso faz ele se sentir na obrigação de se distanciar física e sexualmente, a fim de proteger a mamãe e o bebê. O desinteresse sexual por parte de qualquer um que seja é compreensível. Mas nesta fase, uma boa conversa para que os dois possam expressar seus desejos e sentimentos pode diminuir a distância física. Além disso, outras formas de demonstrar amor e afeto mútuo, como, por exemplo, os carinhos, os abraços e uma massagem a dois nunca devem ser esquecidos.
No segundo trimestre, com a gravidez já estabilizada, a maioria das mulheres sente uma melhora significativa na disposição, e algumas delas percebem até um aumento da libido. Esta é a grande oportunidade para retornar à vida sexual e experimentar novas sensações, pois a elevação da irrigação sangüínea, do volume de água e das secreções vaginais fazem com que a vulva aumente de tamanho e fique mais lubrificada, tornando a penetração muito mais fácil. Diante disto, posições que antes pareciam praticamente impossíveis podem acabar se tornando preferidas e muito prazerosas para o casal. Por outro lado, uma dificuldade relacionada à beleza física pode levar a mulher a se afastar dos relacionamentos sexuais, uma vez que ela não estará se sentindo atraente, já que o padrão atual de beleza diz respeito a um corpo escultural, e a mulher estará lidando com um corpo “provisório” muito diferente dos modelos de beleza. Deste modo, muitas mulheres acreditam que não conseguirão despertar o desejo do parceiro e acabam se afastando dos relacionamentos sexuais por medo de serem rejeitadas. Novamente o diálogo é algo muito importante para auxiliar nesse momento.
Quando a mulher entra no terceiro trimestre, geralmente a indisposição volta devido ao inchaço das pernas e pés, da difícil respiração e do cansaço que vem mais rápido. Estes e muitos outros fatores, como a preocupação com o parto, costumam esfriar novamente a relação, e nesta época vale mais uma vez lembrar que o diálogo continua sendo muito importante. Se a mulher decidir por não fazer sexo porque não está se sentindo bem, sua decisão deve ser respeitada pelo parceiro. Afinal, é ela quem está carregando o bebê e, mais do que ninguém, sabe o quanto esta tarefa é difícil. Caso a mulher esteja se sentindo bem disposta e a gravidez transcorrendo normalmente, nada impede que o casal tenha relações sexuais nesta fase. Entretanto, nas duas últimas semanas, as posições que favoreçam a penetração profunda não são recomendadas. O fato de a barriga estar consideravelmente grande faz a mulher perder um pouco da sua mobilidade e, conseqüentemente, a capacidade de assumir algumas posições durante o ato sexual. Mas isso pode e deve ser considerado como mais um estímulo à busca de uma variedade de novas posições.
Após o parto, independente de qual tipo seja, o resguardo de 40 dias é necessário e, nesta fase, o sexo com penetração deve ser evitado, dando lugar ao sexo manual e oral leve. Mas depois deste período, a vida sexual normal deve ser retomada.
n Algumas mulheres podem sentir, durante a fase de amamentação, um certo desconforto ao fazerem o sexo com penetração. Isto ocorre em razão do desequilíbrio hormonal, que provoca uma diminuição da lubrificação vaginal. Mas este desconforto pode ser amenizado com o auxílio de lubrificantes à base de água indicados pelo médico.





0 comentários: