A fisioterapia nas disfunções do assoalho pélvico

Na quarta-feira passada, participei da II Jornada de Fisioterapia do CAISM. Fui rever umas colegas e também dar uma atualizadinha no conteúdo..rs. A programação não estava muito interessante (os temas foram meio batidos), mas a primeira palestrinha sobre disfunções do assoalho pélvico foi bacana embora super curtinha... E me baseando na aula e em anotações atualizadas vou falar rapidinho então da fisioterapia nessa "área"...
Bom... a fisioterapia nas disfunções do assoalho pélvico consiste em treinamento da musculatura do assoalho pélvico (MAP), no treinamento vesical, na eletroestimulação e na reeducação postural.
As indicações de fisioterapia são variadas: incontinência urinária de esforço (quando se perde xixi ao tossir, dar risada ou pegar algo pesado), incontinência urinária de urgência (quando dá aquela vontade louca de fazer xixi, mas não dá tempo de chegar ao banheiro), bexiga hiperativa (quando a bexiga mal recebe urina, ela já libera), dor pélvica crônica (qualquer dor na região genital e abdominal inferior que ocorre há pelo menos 6 meses), incontinência fecal (quando a pessoa não consegue segurar gases ou fezes), constipação (prisão de ventre), dispareunia (dor durante a relação sexual), anorgasmia (falta de orgasmos) e o vaginismo (contração intensa da vagina que impede a penetração).
Durante a avaliação física verifica-se, através de toque vaginal, o tônus muscular, a duração e qualidade da contração, a função da musculatura e se necessitar, ainda usamos perineometro ou eletromiografia para nos dar medidas mais objetivas. Também se faz uma avaliação postural, prestando atenção na posição da pelve (bacia), dos membros inferiores, da musculatura do abdome...
O tratamento começa tentando modificar o estilo de vida da paciente, pedindo para ela reduzir o consumo de café, de bebidas gasosas, de fumo, de exercícios de alto impacto; indo procurar tratamento para doenças pulmonares (doenças que causam tosse crônica enfraquecem o assoalho pélvico); melhorando a regularidade miccional (nada de ficar segurando xixi) e melhorando a postura (os músculos do assoalho pélvico têm relação direta com a postura!). O trabalho postural tem como objetivo normalizar a função do diafragma (músculo respiratório), realinhar eixos ósseos, reequilibrar a pelve, reestabelecer a musculatura abdominal e trabalhar a musculatura da coluna.
Já o tratamento da incontinência tem como intuito conscientizar o assoalho pélvico, normalizar seu tônus, fortalecer e reestabelecer sua função. Isso pode ser feito através de exercícios de Kegel, eletroestimulação, cones vaginais, etc...
O tratamento da bexiga hiperativa tem como objetivo aumentar a capacidade de armazenamento, diminuir a frequência de micções, normalizar as contrações do músculo da bexiga (detrusor) e modificar os hábitos miccionais da paciente. Um método bastante interessante e atual que está sendo utilizado é a eletroestimulação do tibial anterior, um nervo que sai do pé, passa pertinho do ossinho do tornozelo e sobe pela parte externa da perna. Isso mesmo!! Tratamento a bexiga estimulando um nervo lá do pé!!!! Eu explico.. esse nervo quando estimulado inibe a atividade da bexiga, pois a "raiz" de onde sai o tibial posterior e os nervos da bexiga são os mesmos!

O tratamento de disfunções sexuais se deve principalmente em normalização do assoalho pélvico, seja relaxando-o (em casos do vaginismo e dispareunia) ou fortalecendo-o (como em casos de anorgasmia). O tratamento psicológico também deve ser indicado para complementar o tratamento fisioterapêutico.
A constipação já é tratada com orientações dietéticas básicas, como aumentar ingestão de líquidos e fibras. A massagem abdominal, a cinesioterapia e o biofeedback também são indicados para este problema. O tratamento comportamental também é utilizado, com orientações como colocar horário regular para ir ao banheiro, sentar 10 minutos no vaso sanitário sem fazer esforço, diminuir o uso de laxantes, não ignorar a vontade de defecar, etc...
A incontinência fecal é trabalhada com eletroestimulação anal, tratamento comportamental, orientações dietéticas básicas, treino de assoalho pélvico e uso de balonetes infláveis para ajudar a relaxar o exfincter anal externo.
Por fim... para a dor pélvica crônica usamos terapia manual, exercícios respiratórios, trabalho de assoalho pélvico, massagem reflexa, TENS e exercícios posturais.
É importante lembrar que a fisioterapia nessas disfunções é segura, indolor e ace$$ível, mas infelizmente pouco conhecida e difundida no meio médico.
Bom... acho que agora deu para vocês conhecerem melhor meu trabalho!! Espero que trnham gostado!
Um beijo....

1 comentários:

Angela Rios disse...

Este trabalho é muito valioso, com resultados muito satisfatórios tanto para a paciente quanto para a equipe de saúde. Tenho escutado frequentemente de colegas médicos que o tratamento fisioterapeutico têm rendido melhores resultados que a cirurgia em casos de incontinência urinária! Tá, isso a gente já sabia. Mas é muito importante que eles também saibam, né?

beijo