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PREPARAÇÃO PARA O PARTO: PRECISA?

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          O parto é um evento orgânico que qualquer animal pode realizar sem conhecimento prévio, então, para que se preparar? Seria uma boa questão se nós fôssemos apenas animais e não seres humanos. Existe uma parte de nosso cérebro, a parte mais primitiva, que faz com que sejamos completamente aptos a exercer a função capaz de realizar estas funções. No entanto, o homem adquiriu a capacidade de pensar e, aliada a esta, adquiriu a fala e toda construção cultural. A cultura se encarregou de transmitir, de mãe para filha, todo o conhecimento e sabedoria acumulados durante milhares de anos sobre a gestação e o parto. A ciência, por sua vez, contribui para ajudar os casos em que nem tudo dava certo de forma espontânea, bem como conhecendo as questões básicas de higiene e cuidados, muitas vidas têm sido salvas em situações desfavoráveis. No entanto, com as informações e intervenções médicas, a sabedoria popular foi perdendo seu crédito, e tudo o que prezávamos relacionado ao parto natural passou a ser relevado a último plano. Esta perda do conhecimento empírico e a excessiva confiança na ciência levaram a um desequilíbrio no uso do conhecimento sobre a gestação, parto e puerpério. Parece que nós jogamos “o bebê com a água do banho”, como se diz. Atualmente, a tendência mundial é de busca de um diálogo entre estes dois conhecimentos e, principalmente, de um respeito à individualidade da experiência de cada gestante e de cada bebê. Assim, como passamos a levar um estilo de vida sedentário e acreditamos que o especialista sabe mais sobre nós do que nós mesmos, também a gestação e o parto passaram a ser assuntos médicos a serem “resolvidos” no hospital. Os futuros pais, por sua vez, também não sabem onde procurar respaldo, pois seus pais se sentem desautorizados a transmitir sua experiência e tendem a reproduzir informações pseudo-científicas.

        O grupo de gestantes oferece um espaço onde a troca de informações científicas aliadas ao respeito pela experiência única de cada mãe, bem como a preparação física propriamente dita, podem ser aproveitados. Nesse encontro, as futuras mães podem discutir sobre as questões pessoais que, até então, faziam-nas sentirem-se verdadeiras ilhas isoladas. Muitas vezes, a gestante nem sabe o que perguntar a seu médico, não tem consciência sobre seu corpo (que os livros não são capazes de dar) e não têm um espaço para falar de como se sentem em relação à gestação.

        No grupo de gestantes, os pais são convidados a participar na medida de suas possibilidades e desejos, e podem mesmo se tornar acompanhantes qualificados de parto (DOULA). Os resultados são espantosos. A experiência de dar à luz fica enriquecida pela consciência que as mães passam a ter e, como fruto disso, temos a prevenção de dificuldades no cuidado com o bebê, amamentação, formação de vínculo e saúde física e psíquica. Hoje em dia, principalmente no Brasil, onde a taxa de cesáreas é reconhecidamente abusiva (em torno de 80%), fica difícil que uma mãe sem preparo tenha chances de reivindicar outro tipo de parto. O medo diante da situação hospitalar associado a doenças, à falta de conhecimentos da parturiente sobre seu corpo, à falta de conhecimentos das pessoas que lidam com a parturiente sobre as peculiaridades psíquicas da situação de parto, às intervenções invasivas, impede que o parto siga seu curso normal. A frustração é de todas as partes, inclusive de muitos médicos que sinceramente gostariam de diminuir esta incidência, mas não sabem como faze-lo, pois a prática obstétrica, na formação destes profissionais, afastou-se do parto natural, dando ênfase ao aspecto cirúrgico. Enfim, a resposta é sim, precisamos, mais do que nunca, de preparação para o parto em três aspectos: físico, emocional e informativo.

Vera Iaconelli*

* Doula, Psicóloga, Mestre em Psicologia pela USP, Psicoterapeuta Corporal. Atualmente é Coordenadora do Instituto Gerar de Psicologia Perinatal, onde desenvolve pesquisa em Psicologia Perinatal e coordena a Clínica Social para gestantes e mãe de bebês.

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