Enfiando o dedo em sua ferida..

Outro texto maravilindo... agora da Ingrid, da Passos para o Parto que escreveu para duas conhecidas dela, que pelo jeito estão se deixando levar por conversa fiada!!! 
Esse é pra todas abrirem os olhos e não deixarem se levar por argumento besta! rs




Tenho pouco tempo de "vida" nesse delicioso campo do parto. Estou amando essa experiência, vivenciar tudo isso... e olha que ainda não consegui doular ninguém pessoalmente...
Mas uma coisa eu já tenho claro, muito claro na minha mente: a mulher que não se empodera, que não toma as rédeas da sua própria vida, NUNCA TERÁ O PARTO QUE QUER.

Vai ter o parto que o marido sonhou, que a mãe quis ou que o obstetra idealizou. O seu sonho, o SEU PARTO, querida, fica pra outra hora. Não adianta bater o pé. É assim e ponto.

Eu queria ter doula. Fui xingada até a quinta geração quando anunciei isso pra minha família (desconfio que aí começou o ódio que eles têm pela minha opção profissional).
"NÃO! VOCÊ NÃO VAI TER DOULA, SUA LOUCA! UMA MULHER QUE VOCÊ NUNCA VIU NA VIDA!?!"

Tudo bem. Não vou ter doula? Vou aceitar isso? Colocar meu rabinho (e o da minha filha) entre as pernas? Acatar a decisão de todos ou a minha? Meu sonho ou o deles? MINHA VIDA OU VIDA DELES?

Eu não pedi autorização pra engravidar. Não pedi permissão pra continuar gestando. Agora vou perguntar se posso parir? Parir MINHA filha, do jeito que EU quero? Alguém que vai sair do MEU CORPO?

Pois eu decidi que teria doula e tive. Uma. Duas. Três doulas. Todas virtuais, infelizmente, mas que não me abandonaram e ficaram comigo até o último minuto, seja via MSN ou via telefone.

Quando fui para o hospital, me arrependi MUITO de não tê-las trazido comigo. Eu devia ter dado outro jeito para tê-las pessoalmente, ao meu lado, segurando minha mão e ouvindo meus gritos. Mas não consegui.

Eu achava que iria peitar a equipe médica inteira, eu achava que minhas vontades seriam respeitadas, eu achava que meu parto seria maravilhoso, como eu havia pensado. E eu estava enganada.

Tive um parto normal, sim, mas com uma grande dose de TORTURA PSICOLÓGICA (que hoje penso ser uma cadeira obrigatória para a formação de obstetras) e com uma episiotomia e que por sorte não calou tão fundo nem deixou seqüelas físicas importantes nem emocionais.

ME ARREPENDO de não ter tido doula. Mas arrependimento não conserta nada.

Então, o que eu vim falar para vocês duas é: BATAM O PÉ!

É o corpo de vocês. É a vida de vocês. É o parto de vocês. É o psicológico de vocês. É o sonho de vocês.
Não é pouca coisa. Não é coisa que dê para voltar atrás.

Serão vocês que vão parir.
Vocês que terão o útero costurado numa cesárea; que terão o lado mamífera-selvagem aniquilado sem chance de defesa; que sentirão as dores do pós-operatório.

Não vai ser seu marido. Não vai ser sua mãe. Não vai ser seu obstetra.

Quem vai ser arrancado de dentro da paz será o SEU FILHO.
Quem será esquecido em uma incubadora será o SEU FILHO.
Quem irá para a UTI neo-natal será o SEU FILHO.
Quem será intubado será o SEU FILHO.

Por ele. Não deixe o seu sonho morrer.

1 comentários:

Anônimo disse...

Que bom que você gostou!
Fico lisonjeada!

abs
Ingrid