Dez dicas fundamentais para o parto normal

O post de hoje é para os profissionais que assistem partos normais. E também para as gestantes, que podem ficar de olho para ver se essas dicas são levadas em consideração.
Elas fazem parte de um livreto que encontrei na Abenfo, e que vocês podem baixar por aqui!


Campanha de incentivo ao parto normal - Dez Dicas Fundamentais
http://www.rcmnormalbirth.org.uk
“Juntos, podemos mudar a maneira como o parto acontece”. Esta Campanha visa inspirar e apoiar a prática do parto normal. É um lembrete de que é possível ter uma boa experiência durante o trabalho de parto e o parto em si, apesar dos desafios. As intervenções e cesarianas não precisam ser a primeira escolha – ao contrário, devem ser a última.
O RCM acredita que a política de maximizar o parto normal nas escolhas das mães é segura e oferece benefícios a curto e a longo prazo para as mães, as crianças, as famílias e as comunidades. Esta política pode ser ainda mais exitosa se o parto e o trabalho de parto forem inseridos num contexto social e familiar.

1. Espere e Observe
A prática que melhor ajuda a mulher a ter um parto normal é a paciência. Mas, para que a fisiologia siga seu curso normal, temos que confiar plenamente em nosso conhecimento e em nossa experiência. Para isso, devemos adquirir mais conhecimentos sobre o parto normal – e saber exatamente quando agir.

2. Faça o Ninho Dela
Os mamíferos escolhem um lugar quente, seguro e escuro para dar à luz – os seres humanos também. Mas o importante é a sensação de segurança e confiança, não o ambiente em si. Quando encontramos formas de ajudar as mulheres a se sentirem mais à vontade e confiantes, aumenta significativamente a probabilidade delas terem um parto normal.

3. Tire-a da Cama
A gravidade é a nossa maior aliada durante o parto e o trabalho de parto. Em nossa sociedade, no entanto, as mulheres dão à luz deitadas e de costas, por razões históricas e culturais que já estão obsoletas. Por isso é preciso ajudá-las a entender e a testar posições alternativas durante o pré-natal, e propiciar condições para que elas se sintam livres para adotar diferentes posições no trabalho de parto e no parto em si.
Quando a parturiente estiver confortável, evite fazê-la mudar de posição, a não ser que ela deseje ou que a posição seja inadequada para o feto - e não por razões organizacionais. Se for realmente necessário fazer um exame vaginal, é possível realizá-lo com ela sentada em uma cadeira.

4. Justifique Cada Intervenção
Tecnologia é algo maravilhoso, exceto quando atrapalha. O que estamos começando a entender sobre as admiráveis tecnologias obstétricas é que muitas vezes uma intervenção deste tipo acarreta a necessidade de outras intervenções tecnológicas. Isso desencadeia uma cascata de intervenções que terminam num parto não normal. Temos que nos perguntar “Isto é realmente necessário?”. E somente utilizar uma intervenção quando indicada.

5. Ouça o Que Ela Tem a Dizer
As mulheres são a melhor fonte de informação sobre as suas próprias necessidades. Entretanto, numa cultura medicalizada na qual o profissional “sabe melhor o que é bom para a paciente”, quando durante a consulta a mulher permanece “passiva”, o profissional não sabe fazer as perguntas certas. Por outro lado, estamos perdendo a capacidade de decifrar os sinais não verbais da parturiente: sua linguagem corporal, seus gestos, sua expressão, os ruídos que ela emite e assim por diante. Precisamos conhecê-la, ouvir o que ela tem a dizer, compreendê-la, falar com ela e pensar sobre como estamos contribuindo para que ela saiba que é capaz.

6. Mantenha um Diário
A assistência ao parto é às vezes um bombardeio de experiências, o que torna difícil lembrar o que aconteceu na semana passada – e ainda mais no ano passado. Porém, uma das melhores fontes de aprendizado são as nossas próprias observações. Sobretudo quando podemos revê-las e perceber o que aprendemos e descobrimos desde então. Por isso, manter um diário é uma das melhores maneiras de consolidar a nossa experiência. Escreva o que aconteceu hoje: como você se sentiu, o que aprendeu. Depois, reveja o que escreveu na semana passada, no mês passado, no ano passado.

7. Confie na Sua Intuição
A intuição é o conhecimento procedente de uma multidão de percepções sutis. Quando usamos os nossos sentidos: audição, visão, olfato e tato – e ficamos atentos aos nossos sentimentos – nossas percepções começam a formar um padrão. A partir da experiência e da reflexão, passamos a entender o que esses padrões significam – podemos notar e prever o progresso da parturiente, suas necessidades e sentimentos.

8. Seja um Modelo
Nosso comportamento influencia os outros. Ao colocar em prática as nove outras dicas deste folheto (e ao mostrar que estamos colocando-as em prática) damos um bom exemplo. A obstetrícia requer profissionais que exemplifiquem as práticas, o comportamento e as atitudes que facilitam o parto normal. Comece a ser um modelo a partir de hoje!

9. Tranquilize-a, Seja Positva
Nada na vida prepara uma mulher para parir. É vital tranquilizar a parturiente explicando que contrações e emoções fazem parte do processo normal de dar à luz. Você acredita na capacidade e no poder das mulheres de parir de maneira natural? Até onde você está equipada para amparar e incentivar as mulheres através dos altos e baixos no processo de parto normal? Talvez você seja a única âncora contínua, fonte de segurança para a mulher – seja positiva.

10. Do Nascimento ao Abdômen – Contato Pele a Pele

A amamentação é facilitada quando a mãe e o bebê permanecem juntos – desde o nascimento. O contato imediato pele a pele permite que o bebê possa mamar quanto, quando e por quanto tempo quiser. Ele fica quentinho e chora menos. A mãe aprende a decifrar os sinais do bebê e o bebê retribui. A relação se torna carinhosa e amorosa – um vínculo duradouro começa com o contato pele a pele logo após o nascimento.

1 comentários:

Kika disse...

Adoro essa parte: 'Tecnologia é algo maravilhoso, exceto quando atrapalha.'
Não me considero radical, sou contra parto normal a qualquer custo. Mas TODAS as intervenções devem ter um motivo que as justifique. Caso não tenha, o caminho natural é o melhor caminho, até mesmo por ser natural.
Bjos!