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Relato de parto: PN hospitalar

Ai, ai.. como gosto de lembrar dos partos que já acompanhei!! E hoje venho compartilhar o relato do último parto que participei como doula, ajudando mamãe e papai.. que estavam suuuper ansiosos pela chegada da Valentina, uma bebê preguiçooooosa! rss...
O relato foi retirado do blog da Julia.... e copiado pra cá com o maior carinho! Espero que gostem! =)


Foto liiiinda, que a doula babona e pseudo-fotógrafa tirou!!!!! Demaisss!!!

Como todos já sabiam, eu estava com 2, 3 e 4 cm de dilatação por alguns dias e nossa ansiedade pela chegada da Valentina era clara e evidente. Do dia 1° dezembro até o dia 15 ( dia do parto) nós vivemos cada dia como se fosse o meu último de gravidez, já estávamos sentindo saudades da barriga e ao mesmo tempo felizes pela "chegada" da nossa filha.

Depois de tantas idas ao médico pra saber como eu estava evoluindo, depois de tantos toques (ahhh os toques), depois de tantas noites achando que era o dia, depois de tantos alarmes falsos e depois de tanto gastar com ligações enchendo o saquinho da nossa querida doula (Renatinha) inclusive de madruga, era chegada a hora.

14 dezembro terça  de manhã: Acordo bem disposta e irritada, começo a fazer faxina na cozinha e brigar com Acid (ele é muito chato!). entre uma limpada e outra, uma contração. O Acid (Klederson, namorido) tinha uma reunião e passou a tarde inteira fora e eu em casa "p". da vida com ele sebe-se lá  o motivo. Nesse dia, dois amigos dele vieram de São Paulo dormir aqui em casa pra continuar a reunião que ia muito bem o brigada - madrugada a dentro, até que eu interrompi com um "leve gritinho" chamando pelo namorido. Antes disso,  nós jantamos e assistimos, juntos com Artur e Rafael, duas das nossas séries preferias: "Two and a half men" e "The big bang theory". Era dia de novos episódios.

Depois, eu fui conferir o que a Clara estava aprontando com o totó...tentei pegar o o final do " Esquadrão da moda" passeei por todos os teles-cines e HBOs e nada me agradava...até que, parei num canal qualquer e estava passando " O CURIOSO CASO DE BENJAMIM BUTTON" ( á vi umas 200 vezes, mas tudo bem, qualquer distração pra uma grávida é válida), entre uma cena e outra, alongamentos  e rebolados na bola de pilates recomendada e emprestada por Renata (doula). Gente, a noite não passava, eu estava tão ociosa que não me aguentei e fui tentar dormir. Consegui.

Madrugada de 15 de dezembro. Sinto uma coisa quentinha saindo de mim, e logo chamo pelo Acid: - "amor, corre aqui, acho que a bolsa rompeu" - "serio?" - "você tá bem?" " o que eu faço?" . Rsrsrs. - "Calma não é nada, devo ter cochilado e fiz um pouco de xixi (normal de qualquer grávida sair um pouco de  xixi involuntariamente). Bom, eu não acreditei que era a bolsa e comecei  a dizer que não era. Ligamos pra doula, ela disse pra ficar de olho na cor e no cheiro: cor de agua-de-côco e cheio de água sanitária. Minutos depois, veio outra vez. Tinha cor de agua-de-côco menos o cheiro! Bom, eu já estava começando a crer. - " E ai, o que famos fazer?" - "Ah, não sei, o que você acha?" - " Eu não sei Júlia, o que você quer?" - "Ah, vamos ver..." E assim, ficamos quase uma hora até que eu decidi ir pro hospital. Eu tinha que chegar cedo por causa da penicilina que eu tinha de tomar de quatro em quatro horas até o parto.

Chegamos no hospital às 4hrs da madrugada, faz exame disso , exame daquilo e uma médica FILHA DA P. veio colocar a tão da buzina na minha barriga, eu queria matar aquela égua. Chorei que nem criança quando ela fez aquilo pra acordar a Valentina dentro de mim. Depois dos exames feitos e muitas risadas dentro do hospital, ficamos sabemos que eu continuava com os mesmos quatro centímetros das duas ultimas semanas e que eu não sairia mais de lá.

Sala de pré-parto, 5 da matina:c
Eu ainda sem dor, com muito sono e o Acid  lá do meu ladinho. O dia foi amanhecendo...os médicos saindo de plantão...caminho daqui, caminho dalí, faço exercício com a bola, faço rebolado e nada de dilatação. a manhã foi chegando e nada! Nenhuma mudança. lá pras 8 ou 9 da manhã, chega Renata (doula) pra ficar comigo, era só gargalhada dentro da sala, até um pancadão (música do celular da doula) eu dancei....kkkk. Serio! Fiquei assim até às 13 hrs, foi mais um menos por ai que eu senti as primeiras contrações fortes antes de me aplicarem a ocitocina. Eu já fui correndo pro banheiro porque lá era mais tranquilo e menos iluminado, a Renata ficou comigo o tempo todo me ajudando a controlar a dor (foi muito bom tê-la por perto). Depois disso, alguns exames foram feitos e foi detectado que quando vinham as contrações os batimentos da Valentina caiam, então veio a notícia: como eu já estava há 10 horas com bolsa rompida e só tinha dilatado 1 centímentro em todo esse tempo dentro do hospital, eles teria que aplicar a ocitocina porque poderia haver  sofrimento fetal e isso eu não queria pra minha filha, resolvi aceitar sem pensar duas vezes.

Ocitocina aplicada...eu ainda sorrindo...mais ou menos 14: 45 hrs começaram a dores fortes, ahh eu queria que passasse de qualquer jeito, o intervalo de uma pra outra até que eram longos, dava tempo pra me recuperar e me preparar para a próxima. e vamos lá...respira, se concentra, respira, se concentra... os batimentos da Valentina caim sempre que as contrações vinham, daí, eles falaram em aplicar peridural porque se o bebê não aguentasse o parto "normal" teríamos que fazer uma cesária ;( .. sorte que o anestesista que faz a analgesia ( anestesia parcial ) estava lá e se fosse preciso fazer  uma cesária  o cateter já estaria pronto para outra anestesia. Durante toda essa discussão eu estava sentindo dor, o acid e Renatinha (doula) sempre ao meu lado, cada um segurando uma mão. Na verdade, eu já não via quem estava ao meu redor,  fechei os olhos e só abri quando minha filha nasceu.

Entramos na sala de parto mais ou menos 15: hrs e alguns minutos, me prepararam, fizeram a analgesia, e eu lá, tendo que ficar paradinha mesmo sentindo as contrações...analgesia feita, contrações com tempo bem menor, todo mundo pronto, Acid e Renata entrando na sala, muitos flashes ( me senti uma modelo) quando a dor diminuiu eu já estava muito fraca e Valentina super querendo sair, me perguntaram se eu queria ir pra cadeira do cócoras, mas eu não consegui, senti tontura quando sentei na maca e também já sentia a Valentina entre minha pernas, então, resolvi ficar onde eu estava e "vamo que vamo" eu estava muito concentrada, a presença do meu amor foi primordial, tudo estava saindo como eu queria, aquele dia foi mesmo muito abençoado, estávamos tão felizes que eu fiquei relaxada na hora do expulsivo...Acid segurou minha perna direita e Renata a esquerda, mas logo tive que ficar no apoio (aquele negócio gelado pra colocar as pernas) a maca estava inclinada, era quase um cócoras. Detalhe: momentos antes da Tina nascer uma médica colocou seus benditos dedos dentro de mim  ou eram as mãos? Bom, nao sei,  só sei que quando a Valentina estava saindo eu achava que era a médica enfiando a mão, eu gritava:  - " Tira a mão!" - "Tira a mão!" .  Isso virou piada depois, como tudo na minha vida. Blz! vamos lá, fiz algumas forças e às 16:12 hrs  vejo meu amor, linda, suja e chorona...eu ainda estava meio "grog" só ouvia o papai dizendo: "nasceu amor!" " ela nasceu!" " ela é linda!". Ele me beijava, olhava pra mim, até que a Tina veio pro meu colo...noooosaaa, era cheirosaa, tão doce, tão minha, minha filha tava no meu colo e eu não sabia o que fazer, naquele momento esqueci de mim eu só queria ficar olhando pra ela, não tinha foto, não tinha papai, não tinha médico...pra mim, só estávamos nós duas, era um momento só nosso! Fiquei com ela uns 5 minutos no colo, eu estava meio chorando meio sorrindo, o papai também, ficamos namorando nossa cria e falando como ela era linda.

O parto não saiu exatamente como eu queria, mas foi o meu parto, se fosse preciso eu faria tudo outra vez com muito prazer. Fui muito bem tratada no caism, os médicos foram ótimos ( irando uma baixinha que eu apelidei de "chiquinha" e um bibona mal-educado) tudo foi perfeito, mesmo tendo que passar pela ocitocina, aquele dia foi o melhor de todos, graças a Deus não precisei de episiotomia e nem tive laceração. Vou guardar o dia 15 de dezembro num lugar especial bem no meio do coração pra lembrar e chorar sempre!

Gente, ser mãe dessa menininha é uma delicia, eu realmente estava preparada aquele dia, o grupo de parto me abriu minha mente pra muitas coisas, não sei se eu teria conseguido se não fosse os encontros.

Agora vamos aos agradecimentos:
Primeiro a  Deus por ter me abençoado e por ter feito com que desse tudo certo. Ao meu namorido, amor, lindo, maravilhoso, cabeludo e agora gordinho que também atende por  Klederson, eu agradeço por não ter sido ausente em nenhum momento da minha gravidez e muito menos quando nossa cria estava chegando, eu te amo mais por isso. A Renatinha ( nossa doula) ela foi um amor, nós tivemos que acordá-la algumas vez de madrugada e ela sempre disposta a nos ajudar.
Aos médicos:  Dr. Hugo Sabatino por ter sido tão esclarecedor nos encontros do GPA e atencioso comigo após o nascimento da Valentina e Dr. Franklin que fez a analgesia e ficou ao meu lado na sala de parto tentando me acalmar até o klederson poder entrar. A minha família e a família do meu amor pelo apoio que nos foi dado e aos demais que ficaram de platéia vendo o nascimento da minha pequena.

"Espero que tenham gostado, eu nem sei como eu consegui escrever o relato fiz tudo corrido a Valentina não fica longe de mim nem um segundo =) é que a gente se ama muito, sabe?!!"

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