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Colo uterino curto...

São vários os motivos que levam às mulheres a serem submetidas a uma cesárea sem necessidade. E o motivo pelo qual estou escrevendo esse post é mais um dos mitos que podem levar às mulheres pra faca.... o colo uterino curto!
O comprimento do colo uterino é medido via ultrassonografia lá no meio da gestação e é um exame que ajuda o médico a definir se a gestante tem ou não algum risco de parto prematuro... Ou seja, se a mulher tem colo curto ela tem mais chance ainda de ter um parto normal... mesmo assim, algumas gestantes são aterrorizadas por seus médicos, que acabam indicando cesárea por risco de prematuridade fetal...enfim! rss...
Então pra informar melhor vocês, trouxe hoje um artigo científico bacana e bem simples sobre esse assunto. Grifei o que achei mais importante! Espero que gostem! =)

Colo curto

A avaliação do colo uterino, durante a gestação, pode ser útil na identificação do risco para o parto prematuro espontâneo. Quanto menor o comprimento do colo, maior a probabilidade de prematuridade, uma vez que o esvaecimento cervical constitui uma das primeiras etapas do processo de parturição e precede o trabalho de parto em quatro a oito semanas.

O exame do colo uterino pode ser feito pelo toque vaginal e pela ultrassonografia abdominal ou vaginal. O toque vaginal, com objetivo de verificar as características do colo (dilatação, esvaecimento e posição), revela baixa sensibilidade e baixo valor preditivo positivo para a detecção do parto prematuro. Obtém-se melhor desempenho para o rastreamento do parto prematuro com ultrassonografia transvaginal.

Em comparação com a técnica abdominal, a via vaginal é mais vantajosa, pois permite a avaliação da porção supravaginal do colo uterino com menor interferência das partes fetais no segmento inferior do útero, além de não necessitar do enchimento da bexiga materna e evitar erros na medição pelo falso alongamento do colo uterino.

O comprimento do colo é o indicador ultrassonográfico mais importante, e a sua medida é feita linearmente, entre o orifício externo e o interno, delimitados pelo início e pelo fim da mucosa endocervical ecogênica (Figura 1). Outros achados secundários também podem ser obtidos com o exame, tais como a presença de afunilamento, detectado pela abertura do orifício interno do colo uterino superior a 5 mm, e a ausência do eco glandular endocervical.


Algumas limitações estão presentes nos estudos de predição do parto prematuro pela ultrassonografia transvaginal e, entre elas, a ausência de padronização em relação à idade gestacional da avaliação inicial e a indefinição do ponto de corte abaixo do qual o risco de parto prematuro torna-se significante. A medida do comprimento do colo uterino antes de 15 semanas não apresenta bons resultados para a predição, e a maioria dos estudos a utilizam durante o segundo trimestre da gestação, principalmente entre a 22ª e a 24ª semanas, quando os resultados preditivos são melhores.

A definição de colo curto varia entre os diferentes autores, na dependência dos melhores valores de sensibilidade e especificidade para gestantes sintomáticas ou assintomáticas e de acordo com a idade gestacional da ocorrência do parto.

Na Clínica Obstétrica do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), é feita a avaliação ultrassonográfica transvaginal para medir o comprimento do colo uterino em todas as gestantes assintomáticas, com ou sem risco para o parto prematuro, entre a 22ª e a 24ª semana, por ocasião da ultrassonografia morfológica fetal.

Com base nos resultados de nosso estudo, no qual foram avaliadas 1.958 gestantes, aquelas com comprimento do colo igual ou superior a 20 mm têm baixo risco para o parto prematuro espontâneo. Por outro lado, aquelas com comprimento menor do que 20 mm devem ser consideradas de maior risco e necessitam de maiores cuidados (Figura 2).

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O comprimento do colo inferior a 20 mm revelou-se o melhor valor para a predição do parto prematuro em idade gestacional anterior à 37ª semana e também para idade gestacional igual ou menor que 34 semanas. Para os dois grupos de partos prematuros, o valor preditivo negativo do comprimento do colo uterino foi superior a 90%, enquanto que os valores preditivos positivos foram baixos (58% para parto < 37 semanas e 42% para parto  < 34 semanas). Para as gestantes com história de parto prematuro, o ponto de corte encontrado também foi de 20 mm. Na gestação gemelar, consideramos o colo curto quando inferior a 25 mm.

Na presença de colo curto, são recomendados repouso, investigação de infecções genitourinárias, acompanhamento seriado das contrações uterinas, do comprimento do colo e realização de testes bioquímicos. Da mesma maneira, orienta-se o uso da progesterona natural micronizada, 200 mg/dia, pela via vaginal, até a 36ª semana.

Na gestante sintomática, ou seja, quando o diagnóstico de trabalho de parto prematuro é duvidoso, consideramos de risco para o parto prematuro a medida do comprimento do colo uterino inferior a 15 mm. Nesta situação, deve ser realizada a prevenção terciária - internação para tocólise e corticoterapia antenatal.

*Fonte: Cerclagem

Comentários

Fernanda disse…
Minha gravidez foi de alto risco por ter o colo uterino curto, ao chegar na 36º semana, entrei em trabalho de parto e tentei até o fim o parto normal mas infelizmente tive que fazer uma cesareana pois minha pelve não permitia a saída da bebê. Meu médico, muito ético e competente, em nenhum momento me fez optar pela cesárea sem antes tentar o parto normal, isso sempre foi o que eu quis. Dr Vinicius Zanlorenci, atende em Curitiba e é especialista em gravidez de alto risco, só atende se for indicação de outro obstetra que por ventura identifique a gravidez de risco.
Abraços

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