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Maternidade na berlinda

Repassando meninas! Indicação da Brenda! =)

De uns tempos para cá o exercício da maternidade, que esteve submetido aos desmandos da competição feminista desde o pós-guerra, começou a ser questionado. Jovens ou maduras, mulheres de todas as classes econômicas começam a questionar o distanciamento dos filhos diante do aperto de horas que o mercado de trabalho exige. Preocupadas com detalhes que vão da opção pelo parto, passando pelo tempo ideal de amamentação à educação dos primeiros anos, os mais importantes para a formação de personalidade, caráter e hábitos de alimentação da criança, elas vêm provocando a ira das mulheres que defendem o status quo. Irritadas, as defensoras do sistema vigente, gritam que não são menos mães porque são mães à moda do mercado.
O primeiro questionamento é em relação ao parto, esse detalhe. A nova geração exige direito de parir com dignidade, delicadeza e paciência por parte da assistência e dá de ombros para as representantes da velha guarda com sua antiga cantilena de que tanto faz se o bebê nasce de cesariana ou de parto normal. Elas querem mais do que respeitar o tempo do bebê e seu direito de nascer e salvar-se vigorosamente na luta pela sobrevivência; se possível buscam parir em águas mornas, sentindo o prolongado prazer de um ritual que resgata com requintes de inteligência e sensibilidade, o velho ato de parir. Rejeitam intervenções pediátricas desnecessárias no recém-nascido, exigem braços livres de sondas para abraçarem seus bebês nos primeiros minutos de vida.
Não querem mais abrir mão de amamentar nem quando optam por adotar. Sim, mães adotivas modernas amamentam e andam brigando por uma licença- maternidade cada vez maior, a exemplo dos países desenvolvidos. Não acham normal, nem natural, nem bonito e sabem que não é útil o uso intenso de objetos adaptadores. Chupetas, mamadeiras e carrinhos começam a ser trocados por peito em livre demanda, comidas naturais e slings, aquelas sacolinhas de carregar bebês, que além de práticas e bonitas têm função e é de aproximar o corpo da mãe do corpo do filhote.
Elas não querem se distanciar dos seus bebês, entendem a maternidade como prazer, não como fardo. Elas não vêem o trabalho de cuidar dos filhos pequenos como algo menor, mas sob uma nova nomenclatura: maternagem.
Enganam-se as mulheres da velha guarda quando chamam essas pioneiras de burras que querem voltar ao passado perdendo a competitividade no mercado de trabalho ou quando fazem piadas sobre ser o parto natural um ato pré-histórico. Essa nova geração estuda profundamente seu momento histórico dentro da sociedade e mais do que isso, pratica uma maternidade menos vaidosa, menos egoísta, menos egotista, mais voltada para o desenvolvimento dos bebês e de seus próprios corpos, seus hormônios, a fase da vida em que estão – ou em que se meteram por desejo de fecundação. Elas vêem com olhos bem abertos e mente oxigenada que a terceirização da maternidade em tempo integral desde tenra idade tem causado problemas já apontados pela neurociência. Elas não têm medo de saber mais, estudar mais, entender melhor de que tecidos são feitos os links entre corpo e psiqué. Preferem investir num novo modus operandi, recusando-se a repetir os velhos padrões de comportamento que se acirraram nos últimos 60 anos. A mídia e a média das mulheres continua apontando a culpa como regente-mor da mãe que acompanha o desenvolvimento do bebê e da criança pequena. É um discurso tolo, mofado. A culpa só aparece na ausência de responsabilidade e nessas mulheres que recebem a maternidade literalmente no peito, a responsabilidade dita as regras de um amor suado, de uma relação com bebês deleitada em quantidade e qualidade, com história, sob as bases de um convívio que sabe dizer sim e não, corpo a corpo, sem subornos afetivos via objetos e guloseimas.
É um amor libertador, marcado pelas necessidades de autonomia e independência da criança, que um dia cresce e sob bases sólidas vai embora, feliz e sem culpa, deixando para trás uma relação repleta de vitalidade, sem traços neuróticos do que deixou de ser vivido, sem bateção de porta na cara, sem insultos, sem cobranças de ambas as partes. Não há nada mais normopata e desconstrutivo na relação das mães com filhos do que grudar nos jovens para obter o que já passou, o que não foi vivido. Nada mais cruel do que chorar a distância do filho adulto, feliz em sua vida de adulto.
Cada fase da maternidade pode ser transitada sem ansiedade, com a intensidade natural e gradual de separação e isso nem de longe quer dizer parar de trabalhar, elas sabem disso e buscam novas formas de comportamento profissional, adaptando a vida à maternidade e não a maternidade à vida de um adulto sem filhos. Finalmente, não há nada mais prazeroso na plenitude da maternidade do que sentir a sobra de energia da separação quando ela se faz, naturalmente, necessária, pronta, com pernas fortes, cabeças feitas para ambos os lados. Os filhos definitivamente não precisam de tantos estímulos, nem tantas providências e coisas; desde pequenos até adultos necessitam mais do que tudo respeito à fase em que vivem. E as mulheres, por sua vez, podem se libertar do papel cultural da maternidade, do filho-troféu que as remete a esse lugar de sentimentos persecutórios de menos mãe, afinal a ordem dos dias atuais não é ser mãe em tempo integral, mas mãe em tempo visceral.

*Fonte: Buena Leche

Comentários

Kika disse…
Rê, esse texto veio em um momento perfeito! Eu de vez em quando entro em conflito emocional, duvidando se estou agindo da melhor forma ou se devo ser uma mãe mais do jeito que o mercado e a sociedade acham que é certo. Ler essas coisas sempre ajudam a reforçar o que eu sinto e me ajudar a não sair do caminho.
Obrigada, amiga!!!

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