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Relato: PN hospitalar (versão da mãe!)

Primeiramente gostaria de agradecer algumas pessoas que fizeram este parto ser inesquecível.
A Deus  primeiramente por ter me concedido  a benção de poder gerar, colocado pessoas certas  no meu caminho,  que me ajudaram e me abriram os olhos para muitas coisas, por não ter me desamparado em mais uma etapa da minha vida.
A minha filha Luísa, por ter cooperado, me ajudado e juntas termos conseguido.
Ao meu marido por ter apoiado todas as minhas decisões, defendido nosso sonhado PN, ter ficado ao meu lado nos momentos mais difíceis, por ter visto nossa princesa vir ao mundo, por ter me proporcionado a realização de um sonho, por ter ficado ao meu lado e não me abandonado um só segundo.
A minha mãe por sempre ter sido um exemplo de determinação, isso fez com que eu lutasse pelo que acreditava até o fim.
Agradeço principalmente ao grupo que freqüentei durante uma parte da gravidez, o Madreser, pois foi lá que realmente decidi que optaria por um parto saudável para mim e para minha filha, foi lá que obtive informações imprescindíveis para que ninguém me fizesse mudar de idéia.
A Renata, minha doula, e acho que a pessoa que mais me agüentou reclamando dos prodromos  que nunca viravam TP real (rs), obrigada por me fazer acreditar que o sonho por um PN poderia ser tornar realidade.
Aos que acreditaram que viveríamos essa experiência, e aos que não acreditaram também, pois foi  por causa dessas pessoas que tive forças para provar que é possível.


Dia 26/04
Eu já estava bem estressada a alguns dias, pois completávamos 41 semanas e não havia sinal algum de que a Luísa nasceria.
Os médicos não esperariam muito mais...
Na terça de manha, tínhamos consulta. Neste dia me deu um “estalinho” na cabeça e pedi pra consultar com um residente ao invés de consultar com os internos.
Na consulta ele falou a mesma coisa da consulta anterior, colo ficando molinho, externo aberto, porém interno fechado e sem dilatação.
Passou um cardiotoco para começarmos acompanhar e se até segunda nada acontecesse íamos induzir.
Foi um alivio aquela consulta, porque achava que daquele dia ninguém mais esperaria e saber que ainda tínhamos mais uma semana foi um alivio.
Nunca quis induzir, por medo da indução acabar numa cesárea.
Fomos para casa.
Almocei e senti uma dor que nunca havia sentido antes; até passou pela minha cabeça que seria o dia, mas depois de dois falsos TP, decidi ficar um pouco na bola na frente do PC .
Não agüentei por muito tempo, estava cansada porque acordamos as 6 hrs da manha para consulta, tomei um banho e dormi.
Acordei em alguns momentos com a mesma dorzinha, mas voltava a dormir.
O Gui chegou por volta das 19 e me acordou, senti que as contrações estavam mais freqüentes do que a tarde. Jantei, sai da minha mãe e fui para casa. Ficamos monitorando as contrações que a cada hora ficavam mais freqüentes e doloridas.
Por volta das 20/21 hrs mais ou menos, senti que realmente era o TP, mandamos mensagem pra Renata avisando. Continuamos monitorando. Lá pelas 22 hrs as contrações estavam mais chatinhas e eu já pedia massagem nas costas pro Gui, alguns sonzinhos já saiam. Ligamos para Renata.
Ela chegou umas 23:30, deixei o Gui ir dormir pois sabia que ele estava cansado e que a coisa “pegaria” na madrugada e eu precisaria dele.
Passamos a madrugada, eu e a Re monitorando contrações, as dores estavam mais chatinhas, mas no intervalo delas a gente conversava e ria.
Fui pro banho, fiquei um pouco na bola.
Voltei pra sala, continuamos monitorando, Re fazendo massagem.
Até que as 4:30 da manhã, estava de quatro no sofá no meio de uma contração e escuto: “Ploc, ploc”
Lembrei na hora de um relato que ouvi: Quando a bolsa rompeu, eu escutei um ploc
Não deu tempo nem de pensar direito e a água começou a descer.
Só lembro de ficar andando pelo apartamento, rindo, e falando pra Re, olha estoura mesmo!! RS
Acho que naquela hora que realmente caiu minha ficha que era verdade, que era aquele dia, que não tinha mais como fugir.
Pra quem achava que nem engravidaria, aquilo era muito surreal, Trabalho de parto, bolsa estourar... mil coisas na cabeça. Acordei o Gui, arrumamos as coisas, estamos saindo de casa e derrepente
Vomitei!!! Odeio vomitar, mas vomitei. Mais uma certeza de que as coisas estavam realmente caminhando. Fomos pro Caism.
Confesso que as dores ficaram piores depois que a bolsa estorou. Não sei se é porque li que isso acontecia, ou se realmente acontece.
O caminho na avenida ao sair do condomínio foi o péssimo, a avenida esburacada, eu já tinha reclamado disso antes, já sabia que não seria fácil.
Mas enfim, chegamos ao Caism umas 5 hrs, 5:30. Demoramos pra ser atendidos um pouco. Quando fui atendida, 1º toque, 2 cm. Na hora, falei: O que? É mentira né?  Não acreditava que aquela dor toda era por 2 cm. Pensei que não chegaria muito longe...
Demorou mais um pouco, lá pelas 8 subimos para sala de PPP (pré parto, parto e pós parto)
Fui para chuveiro, mas já não estava mais confortável, a bola nem podia ver ela mais na minha frente.
Só conseguia ficar de pé. Sai do chuveiro e fui pra cama. Lá permaneci até o final e sei que foi isso que fez meu TP demorar mais ou menos 25 hrs.
A mistura de cansaço, com a dor, com o medo me fez ficar na cama e não querer sair dali.
Ouvi varias vezes os médicos, as enfermeiras, dizendo que eu tinha que levantar, ou mudar de posição, mas eu não queria.
A Rê me fez massagem, me deu óleo de hortelã pra cheirar, me apoio muito. Por volta de 11:00 hr outro toque (dos vários que levei), 7 cm. Meu cansaço era grande, falei pra Rê que tinha chegado ao meu limite e queria anestesia. Então o anestesista entrou na sala, me explicou como seria.
Rê saiu para que o Gui pudesse ficar comigo dali em diante.
Pra tomar a anestesia tive que ficar estática, e isso com contração é uma missão quase impossível.
Depois da anestesia, eu era outra pessoa. Até meu humor melhorou!! Rsrs Os médicos comentaram que meu rosto havia mudado. Teve uma enfermeira que disse que pensou que eu era brava! RS
Com a anestesia o mundo clareou e agüentaria mais algumas horas ali. Lá pelas 13 hrs outro toque, 10 cm!!! Pensei, agora é a hora, daqui em diante é só piscar que a Luísa nasce... Grande engano.
Começaram pedir pra eu fazer a força pro expulsivo e eu também já sentia essa vontade.
Porem com a anestesia, tudo fica mais sutil.
Sentia uma pressão no períneo grande e vontade de fazer força. Mas a anestesia faz você perder o controle, não sentir qual a força necessária.
As 14:45 ouvi o medico dizer que aguardaria mais 15 minutos e se a Lu não nascesse ia ter que usar fórceps, pois já estávamos a muito tempo com 10 cm, fazendo força e nada. Quando escutei a palavra fórceps, tirei força de onde não tinha mais, fiz a maior de todas as forças que já tinha feito, e na segunda força a Lu nasceu.
Escutei aquele chorinho agudo, pedindo mãe, perguntei se poderia ver ela, ela veio pro meu colo toda sujinha e linda, maravilhosa, e procurando a “peita” dela, uma sucção forte, parecia que espera aquilo a muito tempo, e eu esperava mais ainda. A primeira mamada da minha princesa demorou uns 15 minutos.
Fiquei sabendo depois que os estagiários que estavam na sala de parto choraram e disseram que foi um parto lindo. Duas delas nunca tinham visto um parto normal, só cesárea e confesso que proporcionar isso as pessoas também me fez um bem danado.
No primeiro momento juntas, no primeiro encontro chorei a beça!!
É maravilhoso trazer um filho ao mundo. Não sei como é a sensação do parto cesárea e confesso nunca precisar saber, mas trazer ao mundo e ainda por cima saber que participei todo o momento dessa transição é lindo, mágico e único.
Limparam ela, deram vacina, pesaram... Lu nasceu com 48,5 cm e 3.395 Kg, Apgar 9/10, pelo Capurro 40 semanas e 5 dias, cabeluda e com os olhos mais lindos que os meus já viram.
Por mais que eu escreva, tente passar o momento para um relato, jamais ninguém vai saber realmente o que senti. Ainda hoje, 20 dias depois, posso sentir a mesma sensação que senti quando Deus me permitiu trazer a Lu pra cá e se lembrar muito, choro! RS (coisa de mãe).
Se me perguntarem se dói, respondo com toda certeza do mundo que sim. Mas é uma dor com um significado de amor, e ai essa dor se transforma. Se pudesse voltar ao tempo não mudaria uma virgula do meu parto. Ele foi como deveria ter sido, como sonhei, como planejei. Parir é gratificante!!

PS.: Luísa nasceu no dia do aniversario do Gui, isso lá de cima deve ter um motivo muito mais especial do que para nós aqui debaixo. Se tivesse escutado as pessoas, os maus médicos que tive, minha filha não poderia ter escolhido esta data, não teria mais esse vinculo que é tão forte com o pai. Fico feliz por ter esperado o momento dela e ela ter feito desse momento um dia que será especial em dobro para nós.

Comentários

Deny doula disse…
Ai...chorei ...lindo Evellyn, lindo...
me sinto feliz por ter feito parte da sua vida nessa jornada!
Anônimo disse…
Oii Rê! Chorei ao ler este relato, que lindo!!!
Muito bom ler isso, me dá forças a insistir pelo PN!!!

Grande bjo!
Evellyn Luz disse…
Brigada Deny!! Amooo vcs!!
Lica, insista sim!!! Vale super a pena!!!
Sem comentários..rs..estou emocionada (chorando..hehe..)!Parabéns pelo relato!hehe..

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