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[Trash] Parto em casa: três vezes mais mortes do bebê

Isso mesmo. Criei a tag [Trash] para assinalar matérias como essa da Época, escrita por Martha Mendonça. 
Como matérias assim, cheias de desinformação e preconceito me irritam, nem consigo pensar numa introdução boa.... Por isso copio duas respostas à essa reportagem que achei DEMAIS da conta!! 
Uma delas é de Ricardo Jones... obstetra humanizado! E a outra é de Roselene de Araujo, mulher, mãe e ativista da Parto do Princípio. 
Com vocês.... primeiro as respostas.... e depois a parte trash....

Ricardo Herbert Jones: 
Martha, você teria coragem de publicar na sua revista um pedido de desculpas se o trabalho que você cita na sua reportagem for COMPROVADAMENTE equivocado, falacioso ou simplesmente errôneo? Não estou falando de publicar a minha opinião como obstetra, ou a opinião de qualquer ativista, mas a partir de uma revisão conscienciosa realizada por grupos de pesquisadores que revisaram meticulosamente os números the pesquisa do Wax que sustenta esta afirmação. Teria coragem de se refazer sua opinião? Teria a dignidade de reconhecer que errou ao sustentar um erro? Se você responder afirmativamente a estas perguntas, procure na Internet a revisão sobre este trabalho aqui:
From Medscape Ob/Gyn & Women's Health.

Planned Home vs Hospital Birth: A Meta-Analysis Gone Wrong.
(se quiser me peça o trabalho completo e te mando imediatamente).

Carl A. Michal, PhD; Patricia A. Janssen, PhD; Saraswathi Vedam, SciD; Eileen K. Hutton, PhD; Ank de Jonge, PhD.
Authors and Disclosures.
Posted: 04/01/2011 (olha a data aqui).
Veja aqui as conclusões dos pesquisadores a respeito de um trabalho equivocado e falacioso:

Conclusion
The debate over the safety of home birth is deeply divided and emotionally charged. Reliable information is required to allow productive debate and informed decisions. In an era of evidence-based medicine, it is incomprehensible that medical society opinion can be formulated on research that does not hold to the most basic standards of me-thodological rigor.

(Caríssima: reconheço que coragem e dignidade no jornalismo são atitudes raras e muito difíceis de se encontrar. Não se envergonhe caso prefira ficar em silêncio e esperar que "vão acabar me esquecendo". Todos os seus colegas fazem isso diante de uma "barriga". Continue escrevendo; um dia você percebe que estava do lado the carnificina das cesarianas mercantilistas, e talvez ainda dê tempo de se recuperar. Boa sorte...)

Roselene Araújo:
Martha, vejo ativistas e obstetras apontando erros em sua matéria, e terei que fazer-lhes coro, mas olha só: talvez a questão seja puramente de português? porque veja, o parto em casa desmedicalizado não é um parto “alternativo”! A rigor, a humanidade o pratica há 200mil anos, se a gente estabelecer como corte histórico aí o surgimento do homo sapiens – porque se a gente considerar nossos ancestrais vamos pra milhões, bilhões de anos – e apesar da escassez de evidências, parece não constar registro de parto hospitalar àquela época. Isto posto, penso estar claro que “alternativo” é o parto hospitalar. Quanto às suas estatísticas, ok, sei que seu post não é um trabalho acadêmico, mas pelo cenário jornalístico em que se insere, eu sugeriria a publicação da fonte. Ou a fonte é secreta, tipo deep throat em watergate? Porque olha, falando assim em Biblioteca Cochrane por exemplo, fazendo uma buscazinha básica no Scielo, puxa, não se encontra NADA parecido com o que vc diz! E olha, NÃO ESTOU DIZENDO QUE É O SEU CASO, porque vc parece ser uma moça bastante esclarecida comme il faut para uma jornalista editora-assistente, mas a esmagadora maior parte de casos em que o médico usa essa expressão popular referindo-se ao bb de que “está passando da hora”… olha, passando da hora costuma estar é a agenda dele! Ou o diploma dele! Ou o óleo de peroba dele! Porque datas não são indicação isolada de cesárea! Nem cordão enrolado, nem bolsa rota, nem bb grande, nem bacia pequena! Impressionante, não? Agora mudando de tom, quero te dizer uma coisa com todo carinho: querida, vc perdeu. Perdeu a chance de vivenciar as sensações humanas mais impressionantes, perdeu momentos prazerosos, assim como perdem momentos prazerosos as garotas de determinadas culturas em que é praticada a mutilação genital – mesmo as que acreditam que tudo aquilo é para o bem delas. A cesárea é um recurso de resgate, de exceção, e quando bem indicada é uma técnica salvadora que a gente deve venerar de joelhos – não o médico, mas a inteligência humana que a criou. Mas quando é recurso de subjugo, trata-se de desonra, lesão, crime. Você de fato gostou? Ok. Mas por favor, ao difundir seu gosto pessoal, não faça parecer que é algo diverso disto, não bote roupinha de ciência no que seria uma matéria sobre idiossincrasias humanas. E fica a idéia! Vc poderia contar seu caso de quem acha a cesárea linda, de quem nunca foi obcecada por parto normal, e mostrar paralelamente outras pessoas alternativas como vc, que por exemplo preferem mandar um sorinho intravenoso lá no PS da esquina ao invés de comer uma bela pasta no domicílio. Na boa, Martha. Na boa.

E por fim o blá blá blá desinformativo...

Parto em casa: três vezes mais mortes do bebê


Nunca fui muito chegada à vida alternativa. E uma das coisas que jamais me passou pela cabeça nas duas vezes em que estive grávida foi parir em casa. Não que eu goste de hospital, mas confesso que é o lugar mais gostoso de estar em determinados momentos. Como quando eu tive uma crise renal, por exemplo. Quando a porta da clinica se abriu, foi como se o portal do paraíso tivesse se escancarado à minha frente. Eu já sabia que ali encontraria a paz. Então, entre meus planos de parto, o hospital era algo tão certo quanto a identidade do pais daquelas crianças.
Eu não só queria o hospital, como também jamais desejei um parto na banheira ou de cócoras. Era ali, bem deitadinha na cama da sala de parto que eu sempre quis estar, com a roupinha verde e a touquinha que nos deixa absolutamente ridiculas nas fotos dos momentos mais importantes de nossas vidas. Pra completar, também nunca fui obcecada pela ideia do parto normal. Sempre achei que era o melhor, mas, quando o médico me disse que meu primeiro filho já estava passando do tempo e era melhor a cesareana, não sofri. Fui pra faca aliviada. (Sorte minha, porque ele nasceu com 4,3 quilos, um bezerro!)
Conheci uma moça, colega de trabalho, que teve a filha em casa. Trabalhou nos preparativos, chamou uma parteira e deu tudo certo. Ela tem orgulho do feito. Eu também teria – se tivesse coragem pra tentar algo assim. Nessas horas eu prefiro a segurança.
Hoje li sobre uma pesquisa a respeito da mortalidade de crianças nos partos caseiros. De acordo com o American Journal of Obstetrics & Gynecology, nos Estados Unidos, as mulheres que dão à luz seus filhos em casa experimentam bem menos infecões, hemorragias…mas a ausência de intervenção médica resulta no triplo de morte dos recém-nascidos!
Em resposta, o Lancet, um respeitado jornal médico, fez um editorial dizendo: “As mulheres têm o direito de escolher onde e como ter seus filhos, mas elas nâo têm o direito de colocar a vida de seus filhos em risco”.
Os principais motivos dos óbitos dos recém nascidos nos partos em casa são problemas respiratórios – já que falta equipamento para o trabalho de reanimação.
A associação das enfermeiras-parteiras reclamou da pesquisa. Argumentou que os dados não distinguem os partos caseiros planejados dos não planejados. Concordo que é seria importante para diferenciar. Afinal, nem todas as mulheres têm filhos em casa porque querem. Há casos de urgências e impedimentos. O resultado poderia não ser tão radical. Mas de um jeito ou de outro, isso não afasta a discussão sobre a fragilidade de um parto feito longe de tudo que a medicina e a tecnologia hoje nos dão.
Entendo que muita gente tenha o desejo de viver a vida de forma alternativa, mais próxima do que é natural e mais longe de máquinas, remédios, intervenções. Afinal, muitos dizem, nossas avós, bisavós, tataravós tinham seus filhos muitas vezes até sozinhas. Tá. Mas quantas crianças morriam nessas situações?
Quer ser alternativo? Opte por alimentos orgânicos, more numa casa de madeira no meio da floresta, não depile as pernas ou deixe os cabelos brancos aparecerem naturalmente. Mas ao seu filho, dê todas as chances de viver.

*Fonte: Época

Comentários

Sara Rodrigues disse…
Na minha opinião esse post não passa de uma desculpa por ela ter tido seus partos cesareas, e ter perdido a chance de viver o empoderamento....

Rê te amooooo
Primeiramente queria dizer que AMEI seu blog, parabéns!!! É de informações desse tipo que as pessoas precisam para escolher conscientemente por um parto especial domiciliar. Queria dizer que na minha opinião o parto domiciliar é indicado para pessoas informadas de fato e não aquelas que lêem essas mídiazinhas de manipulação de massa como Época, Veja, Isto É. Essas mídias foram feitas para as pessoas que precisam viver na moda, com o melhor celular, com o cabelo igual da atriz da tv, marcando cesárea para sair bonita na foto.. sem se importar de fato com o que acontece com seu corpo, com seu filho e por aí vai. Infelizmente essa jornalista é uma dessas pessoas e teve a chance de se informar antes de escrever a matéria, mas não o fez. Azar o dela!
Carol Helena disse…
E essa retardada ainda tem um diploma de jornalista!! Uma amiga minha, jornalista, diria a esta colega de classe: Pessoas como você é que fazem o maravilhoso jornalismo brasileiro!

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