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Cesáreas desnecessárias - falsas indicações!

É sempre bom lembrar da lista enoooooooorme de falsas indicações para cesárea. Essa lista foi criada pela obstetra Melania Amorim!


Não se deixe enganar. Embora muito alegadas pelos médicos, as condições abaixo NÃO são indicações de cesariana.
por Melania Amorim, obstetra

.   Abdominoplastia prévia
2.   Aceleração dos batimentos fetais
3.   Adolescência
4.   Ameaça de chuva/temporal na cidade
5.   Anemia falciforme
6.   Anemia ferropriva
7.   Anencefalia
8.   Artéria umbilical única
9.   Asma
10. Assalto ou outras formas de violência (gestante ou familiar foi vítima de assalto, então o bebê pode ficar estressado)
11. Bacia "muito estreita"
12. Baixa estatura materna
13. Baixo ganho ponderal materno/mãe de baixo peso
14. Bebê alto, não encaixado antes do início do trabalho de parto
15. Bebê profundamente encaixado
16. Bebê que não encaixa antes do trabalho de parto
17. Bebê "grande demais" (macrossomia fetal só é diagnosticada se o peso é maior ou igual que 4kg e não indica cesariana, salvo nos casos de diabetes materno com estimativa de peso fetal maior que 4,5kg. Não se justifica ultrassonografia a termo em gestantes de baixo risco para avaliação do peso fetal).
18. Bebê "pequeno demais"
19. Bolsa rota (o limite de horas é variável, para vários obstetras basta NÃO estar em trabalho de parto quando a bolsa rompe)
20. Calcificação da sínfise púbica (alegando-se que ocorreria em TODAS as mulheres com mais de 35 anos, impedindo o parto normal)
21. Candidíase
22. Cardiopatia (o melhor parto para a maioria das cardiopatas é o vaginal)
23. Cegueira materna
24. Cesárea anterior
25. Chlamydia, ureaplasma e mycoplasma
26. Circular de cordão, uma, duas ou três “voltas” (campeoníssima – essa conta com a cumplicidade dos ultrassonografistas e o diagnóstico do número de voltas é absolutamente nebuloso)
27. Cirurgia gastrointestinal prévia
28. Colestase gravídica
29. Coleta de sangue do cordão umbilical para congelamento e preservação de células-tronco
30. Colo grosso, colo posterior, colo duro, colo alto e (paradoxalmente) colo curto
31. Colostomia
32. Conização prévia do colo uterino
33. Constipação (prisão de ventre)
34. Cálculo renal
35. Data provável do parto (DPP) próximo a feriados prolongados e datas festivas (incluindo aniversário do obstetra)
36. Datas significativas como 11/11/11 ou 12/12/12 (ainda bem que a partir de 2013 precisaremos esperar o próximo século)
37. Diabetes mellitus clínico ou gestacional
38. Diagnóstico de desproporção cefalopélvica sem sequer a gestante ter entrado em trabalho de parto e antes da dilatação de 8 a 10 cm
39. Dorso à direita, dorso posterior, ou dorso em qualquer outro lugar
40. Edema de membros inferiores/edema generalizado
41. Eletrocauterização prévia do colo uterino
42. Endometriose em qualquer grau e localização
43. Epilepsia e uso de qualquer droga antiepiléptica
44. Escoliose
45. Espondilite anquilosante – Qualquer espondiloartropatia
46. Estreptococo do Grupo B (EGB) no rastreamento com cultura anovaginal entre 35-37 semanas
47. Exérese prévia de pólipos intestinais por colonoscopia
48. Falta de dilatação antes do trabalho de parto
49. Feto com "unhas compridas"
50. Feto morto
51. Fibromialgia
52. Fratura de cóccix em algum momento da vida
53. Gastroplastia prévia (parece que, em relação ao peso materno, se correr o bicho pega, se ficar o bicho come)
54. Gestação gemelar com os dois conceptos, ou o primeiro, em apresentação cefálica
55. Gravidez não desejada
56. Grumos no líquido amniótico
57. HPV (só há indicação de cesárea se há grandes condilomas obstruindo o canal de parto)
58. Hemorroidas
59. Hepatite B e hepatite C
60. Hiperprolactinemia
61. Hipertireoidismo
62. Hipotireoidismo
63. História de cesárea na família
64. História de câncer de mama ou câncer de mama na gravidez
65. História de depressão pós-parto
66. História de natimorto ou óbito neonatal em gravidez anterior
67. História de trombose venosa profunda
68. História familiar de fibrose cística do pâncreas
69. Idade materna "avançada" (limites bastante variáveis, pelo que tenho observado, mas em geral refere-se às mulheres com mais de 35 anos)
70. Incisura nas artérias uterinas (pesquisada inutilmente, uma vez que não se deve realizar dopplervelocimetria em uma gravidez normal)
71. Infecção urinária
72. Inseminação artificial, FIV, qualquer procedimento de fertilização assistida (pela ideia de que bebês "superdesejados" teriam melhor prognóstico com a cesárea) - motivo pelo qual esses bebês aqui no Brasil muito raramente nascem de parto normal
73. Insuficiência istmocervical (paradoxalmente, mulheres que têm partos muito fáceis são submetidas a cesarianas eletivas com 37 semanas SEM retirada dos pontos da circlagem)
74. Laparotomia prévia
75. Líquido amniótico em excesso
76. Magreza da mãe
77. Malformação cardíaca fetal
78. Mecônio no líquido amniótico (só indica cesariana se houver associação com padrões anômalos de frequência cardíaca fetal, sugerindo sofrimento fetal)
79. Mioma uterino (exceto se funcionar como tumor prévio)
80. Miscigenação racial (pelo "elevado risco" de desproporção céfalo-pélvica)
81. Neoplasia intraepitelial cervical (NIC)
82. Obesidade materna
83. Obstetra (famoso) não sai de casa à noite devido aos riscos da violência urbana
84. Paciente “não tem perfil para parto normal”
85. Paciente “não ajuda para o parto normal” (momento vidente ON: “no fundo ela quer cesárea”)
86. Parto "prolongado" ou período expulsivo "prolongado" (também os limites são muito imprecisos, dependendo da pressa do obstetra). O diagnóstico deve se apoiar no partograma. O próprio ACOG só reconhece período expulsivo prolongado mais de duas horas em primíparas e uma hora em multíparas sem analgesia ou mais de três horas em primíparas e duas horas em multíparas com analgesia. Na curva de Zhang o percentil 95 é de 3,6 horas para primíparas e 2,8 horas para multíparas)
87. “Passou do tempo” (diagnóstico bastante impreciso que envolve aparentemente qualquer idade gestacional a partir de 39 semanas)
88. Perineoplastia anterior
89. Pé nas costelas
90. Pé torto congênito
91. Placenta grau III ou II ou I ou qualquer outra classificação
92. Plaquetas baixas não oclusivas do colo do útero
93. Possível falta de vaga em maternidade para um parto normal, caso a gestante não marque a cesárea
94. Pouco líquido no exame ultrassonográfico (sem indicação no final da gravidez em gestantes normais)
95. Praticar musculação ou ser atleta
96. Pressão alta
97. Pressão baixa
98. Problemas oftalmológicos, incluindo miopia, grande miopia e descolamento da retina
99. Profissão professora
100.  Prolapso de valva mitral
101.  Qualquer malformação fetal incompatível com a vida
102.  Qualquer procedimento cirúrgico durante a gravidez
103.  Reação vasovagal
104.  Sedentarismo
105.  Septo uterino/cirurgia prévia para ressecção de septo por via   histeroscópica
106.  Ser bailarina
107.  Suspeita ecográfica de mecônio no líquido amniótico
108.  Síndrome de Down e qualquer outra cromossomopatia
109.  Síndrome de Ovários Policísticos (SOP)
110.  Tabagismo
111.  Trabalho de parto prematuro
112. Tricomoníase
113.  Trombofilias
114. Trombose venosa profunda
115.  Varizes uterinas
116.  Uso de antidepressivos ou antipsicóticos
117. Uso de aspirina
118.  Uso de heparina de baixo peso molecular ou de heparina não fracionada
119.  Útero bicorno
120. Vaginose bacteriana
121.  Varizes na vulva e/ou vagina

Comentários

Éricka disse…
Essa semana vi um caso de mãe em trabalho de parto, contrações a cada 5 minutos e 4cm de dilatação que foi parar na cesárea. O bebê estava com arritmia. Não sei se essa é ou não uma causa que justifica a intervenção cirúrgica, mas queria saber porque o coração do bebê tem que ficar sendo monitorado.
É complicado, sabe? A mãe sai de lá frustrada, mas com a sensação de que salvou o bebê. Mas ao mesmo tempo penso que se acontecer algo parecido comigo, ou seja, se o médico vier falar que o meu bebê tá com o problema X e que eu vou precisar ir pra faca, vou ter um treco pra me decidir. Por um lado tem 99% de chance de ser balela de médico, mas por outro eu me mataria se acontecesse algo com o bebê por capricho meu.
Tem que estar com uma equipe humanizada, que só vai indicar cesárea qdo houver real necessidade. Assim acho que a frustração seria um pouquinho menor.
Lara disse…
Concordo com a Éricka.... que dúvida! É por isso que cada vez é mais importante escolher bem os profissionais que estarão cuidando da mãe e do bebê.. pq 'profissionais' q querem facilitar a vida e já 'fazer logo uma cesária' têm de monte!!

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