Parto tecnológico: um show de horrores!

Carlos Bayma é médico, mas  não cuida de gestantes. Ele é urologista-chefe de um hospital de Recife..  E mesmo não trabalhando com grávidas, escreveu uma crítica sobre a obstetrícia moderna, tecnocrática e egoísta, em seu blog localizado dentro do site Banco de Saúde!! Gostei muito! Quem dera nossos obstetras tivessem essa mesma visão.....
Ah, os negritos e sublinhados são do próprio autor!


Uma fêmea de mamífero, quando prestes a parir, geralmente se isola, procura um lugar tranquilo, silencioso e de pouca luz. Nesse ambiente, o parto se dá de forma natural. Mas, o que ocorre com as fêmeas da espécie humana? Lamentavelmente, o parto tecnológico, em ambiente hospitalar, barulhento, frio, bem iluminado e geralmente como resultado de um parto cesáreo (previamente agendado). Imagino como as crianças são muito mal recebidas neste mundo. De repente, todo o oposto da segurança e quietude uterinas irrompem em poucos segundos. É um choque inimaginável. Parturientes dopadas, médicos apressados, pais fotógrafos / cinegrafistas, sondas no nariz, aquecedores artificiais, gente estranha, bactérias superpoderosas e... nada da mãe, dormindo ou cheia de dor.

O primeiro vínculo do ser é o ventre materno. O estresse, a alimentação e as emoções atuam diretamente no feto. Para seu bem ou não. O segundo vínculo inicia-se no parto e vai até os três meses de vida, no qual a relação de intimidade e proximidade entre mãe e recém-nascido (RN) é fundamental pelo resto da vida. Não é à toa que os peitos ficam em uma localização tal que, quando mamando, a criança fica a a 10 ou 15 cm do rosto da mãe. Isso tem uma razão de ser: o RN reconhece apenas rostos que estão suficientemente pertos. A proximidade é fundamental, particularmente no momento da amamentação, instante de troca emocional e doação amorosa, além da nutrição completa do corpo. Há outros vínculos mais, com ambiente familiar, social, emocional e intelectual, que serão abordados posteriormente.

Não me espanta o número de mulheres que chegam às maternidades e não têm mais dilatação do colo uterino, "impedindo" o parto vaginal. É o parto tecnológico, o ambiente hospitalar (fisica e emocionalmente inadequado) e a programação mental a qual as futuras mamães são cruelmente submetidas durante o pré-natal que fazem isso. Aí, então, tome cesariana. E tome anestésico. E tome analgésico. E tome soro. E tome curativo. E tome criança separada da mãe. E tome mamadeira. E tome um show de horrores! Depois, a grande desculpa: os peitos secaram, não têm leite, estão rachados, inflamados, infectados. Não me admira que falte leite, diante dessa sequência absolutamente antinatural de gestar e dar a luz. Ou será que que as mamães têm medo que suas mamas despenquem ao oferecer seu leite ao seu rebento? Precisamos voltar à natureza, sábia demais, pois gestação e parto bem conduzidos e naturais (o máximo possível) podem ser a diferença entre um ser humano futuramente equilibrado ou inadequado pelo resto vida.

3 comentários:

Mariana M. Notari disse...

Vou colocar no meu blog também!!! Super bacana!!!!!!! Beijocas...

Éricka disse...

Meu deus do céu, não acredito que isso veio de um médico!!! Que maneira ÓTIMA de começar a semana, Rê. Obrigada!!!

Ju disse...

Nossa, que texto sensacional! Minha semana também vai começar bem melhor agora!
Obrigada por postar!