Relato DUPLO: Parto natural hospitalar

O relato de parto de hoje é especial: é duplo! Com versão da mamãe e do papai! Fiquei muuuito feliz com as palavras que Andréia e Bruno escreveram. É muito gostoso ter reconhecimento desse trabalho que faço com muito amor, e que fica ainda melhor com a parceria da obstetra e amiga, Priscila Huguet!
Queridos, muito obrigada pela confiança e oportunidade de vivenciar esse momento com vocês! Beijo no coração!! E vamos logo parar com o falatório e partir pra parte legal!!


Relato da mamãe

Meu parto, meu sonho!

Bom, que alegria poder dividir este sonho alcançado.

No inicio da minha gestação, tive muitas dúvidas, como por exemplo, a escolha do meu médico, pois queria um profissional que apoiasse minha decisão de ter um parto natural. Tive a sorte de encontrar uma profissional que entendeu minha necessidade e me apoiou.

Confesso que a teimosia foi a minha amiga mais fiel, pois não encontrava apoio em meus próprios familiares com relação ao tipo de parto que deseja ter. Todas as vezes que conversava com meu marido sobre o assunto, ele deixava claro sua preferência pela cesariana.

Bem, a gravidez seguiu e lá pela 28ª semana a minha médica me falou sobre a Renata, uma doula, e que seria interessante conversar com ela para conhecer melhor seu trabalho. Liguei para ela e depois de várias tentativas, marcamos um horário, o único que se encaixou na agenda de meu marido.

No nosso primeiro encontro, a Renata veio até nossa casa e nos deu vários detalhes sobre os tipos de parto e suas principais características. Falou dos benefícios do parto natural, tanto para a mãe quanto para o bebê e por tabela quebrou mitos existentes em minha casa.

Percebi que depois de nosso encontro, meu marido obteve todas as informações necessárias para que o apoio tão esperado fosse oferecido. E foi exatamente o que aconteceu: recebi apoio da pessoa que mais amava. No nosso próximo encontro com a Renata, fortalecemos ainda mais nosso conhecimento sobre o parto natural.

A partir de então, foi só preparar o coração e controlar a ansiedade!

Sentia-me feliz pelo progresso, mas ansiosa pelo dia “D” que se aproximava. Queria que tudo desse certo e que o meu corpo respondesse positivamente a todo o trabalho de parto.

Cinco dias antes de a minha filha nascer, começaram os sinais: a hora do nascimento se aproximava.

Quando ouvi da minha médica que já estava com aproximadamente 3 cm de dilatação, senti uma enorme alegria, pois meu corpo dava sinais claros de que a Luiza viria da maneira planejada por Deus e como eu sempre havia sonhado.

No dia do nascimento da Luiza, estava almoçando com meu marido e de repente, minha bolsa estourou! O tão sonhado momento estava prestes a acontecer! Logo nossa gatinha estaria conosco.

Desde o rompimento da bolsa até seu nascimento foram apenas 5 horas e meia de espera. Nesse período, senti desconforto em quase 15 minutos, quando estava próxima do ultimo grau de dilatação.

Toda dor foi suportável! Não foi como sempre via nos filmes: mulheres gritando, maridos indo ao chão e a famosa respiração... apenas no ápice da dor cheguei a pedir por anestesia, mas ouvi de nossa médica, Priscila, que não havia tempo, pois a Luiza estava nascendo.

Ela nasceu da maneira mais perfeita possível. O sonho estava concretizado.





Relato do papai

Lembro-me do dia no qual soube que seria pai. Minha esposa pediu que eu fechasse meus olhos e abrisse minhas mãos, as quais receberam dois objetos. Em minha mão direita, senti como que se estivesse segurando duas pequenas luvas de boxe. Na esquerda, havia algum tipo de tecido que não conseguia identificar.

Ao ouvir o choro da minha esposa, abri os olhos e foi nesse exato momento que descobri o que segurava em minhas mãos: um par de tênis marrom e uma blusinha roxa. Minha vida nunca mais seria a mesma.

Muito tempo antes de descobrirmos que a Andréia estava grávida, nós já conversávamos sobre a possibilidade de sermos pais. Já no inicio de nosso namoro, tínhamos até escolhido os nomes de nosso futuro bebê. Se menino, Pedro. Se menina, Luiza.

Em muitos aspectos da gravidez de minha esposa nós estávamos completamente unidos, exceto por um importante detalhe, como nosso bebê nasceria?

Andréia sempre falou em tê-lo de parto normal e eu, contrariamente, através da cesariana. Eu defendia minha ideia através de alguns argumentos, tais como “eu nasci de cesariana”, “meu irmão nasceu de cesariana”, qual seria, então, o empecilho de nosso bebe nascer de cesariana?

Mas havia outra questão que para mim era mais relevante. Sou consultor de tributos indiretos e tenho um dia-a-dia nada previsível, por isso sempre pensei que através da cesariana poderia “planejar” o nascimento de nossa filha (vocês já sabem agora o nome dela).

Na verdade, havia outro argumento que utilizava para tentar justificar o motivo de defender essa cirurgia. Eu não queria que minha esposa sofresse durante o parto normal e que minha filha corresse qualquer risco de vida.

Depois que conhecemos a Renata, por intermédio da médica da Andréia, Priscila Huguet, tivemos acesso à informações preciosas que me fariam questionar minhas crenças sobre o melhor tipo de parto para minha esposa e filha.

Através do trabalho da Renata, que se tornou nossa doula, recebi muitas informações sobre os diferentes tipos de parto e seus possíveis benefícios. Descobri que havia outro tipo de parto além do normal e da cesariana, o parto natural humanizado.

Fiquei realmente impressionado com o profissionalismo apresentado pela Renata, que sempre tomou o cuidado de apresentar informações técnicas com embasamento científico, mas de maneira divertida e espontânea. Troquei a fralda da Mirna  e até dei de mamá para ela. 
(Abrindo parenteses pras leitoras entenderem:Mirna é a boneca que eu uso nas aulas de amamentação e cuidados com bebê!)

Nesse momento, todas minhas certezas e conceitos sobre a melhor forma de nascimento para meu bebê estavam desfalecidos. Abri mão de todo planejamento egoísta que um dia construí em meio a minha vida profissional corrida e me uni a minha esposa num só propósito: nosso bebê nasceria de parto natural, sem nenhuma interferência direta.

Infelizmente, não consegui acompanhar o pré-natal da minha filha como gostaria, mas tinha a confiança de que minha esposa estava nas mãos de uma médica que saberia julgar, dada às circunstâncias do tão esperado momento, a necessidade de utilizar qualquer procedimento médico para a preservação da vida de minha esposa e da minha filha.

No primeiro dia de minhas férias, dia 06 de junho de 2011, a bolsa de minha esposa estourou. Ligamos para nossa médica e doula, como já havíamos sido instruídos e o final dessa história foi surgimento do choro de uma pequena menina.

Como escrevi anteriormente, não consegui acompanhar minha esposa em suas visitas à Priscila, mas fui agraciado por acompanhar todos os momentos do nascimento da Luiza, desde o rompimento da bolsa até a primeira vez que a vi.

Você faz ideia de como passei a admirar a Andréia depois de acompanhar sua força para enfrentar os momentos de dor e desconforto, vencendo os limites de seu próprio corpo em prol do cumprimento de um dos atos mais lindos da natureza: o nascimento de uma criança por parto natural?

Por fim, contar com o profissionalismo e talento de profissionais como a Priscila Huguet, uma médica competente e comprometida com os limites naturais do corpo de suas pacientes e de seus bebês, e a Renata Olah, uma doula, uma “mulher que serve” e que dá suporte físico e emocional antes, durante e após o nascimento, foi essencial para o êxito do nascimento da Luiza, bem como na realização do sonho de minha esposa.

2 comentários:

MAMÃES2TAIANE disse...

lindo relato, é a prova viva da importancia dos profissionais da saude humanizada, as doulas sempre digo são anjos da guarda!!! Parabéns aos pais por terem construido uma história de amor e respeito, e parabéns a doula que doa sua vida a ajudar as pessoas!!!

Bina USA disse...

Cada vez que leio um dos relatos de parto tenho mais e mais certeza que tbm quero, posso e vou conseguir!

Bjao!
Lindo relato!