Relato de amamentação

Esse é o primeiro relato de amamentação do meu blog! Foi escrito por uma ex-doulanda, amiga querida, psicóloga e agora mãe de duas crianças lindas!! Achei ótimo trazer sua história pra cá, pois muitas mulheres pensam que amamentar é fácil.... que é colocar no peito e pronto! Mas nem sempre é assim! Há obstáculos que podem surgir e atrapalhar esse momento de intimidade, amor e vínculo tão especiais!
Vamos lá.....


Minha filha nasceu no dia 02 de dezembro de 2011, foi um lindo parto natural humanizado depois de uma cesárea desnecessária ocorrida há seis anos. Com o meu primeiro filho tive dificuldades na amamentação. Devido à cirurgia e à medicação pós-cirúrgica o leite demorou em descer e no hospital deram complemento para ele porque ele chorava muito. Resultado, o leite desceu, o bebê sugava com força, eu não sabia amamentar e tive fissuras, muita dor e candidíase nas mamas. Com paciência, a medicação passada pelo médico e o uso de um intermediário de silicone consegui  amamentar meu filho. Ele ainda continuou tomando complemento, teve várias alergias e intolerâncias ao leite artificial e só mamava no peito se eu usasse o intermediário de silicone pois tinha se acostumado a ele. Mesmo com todos os contratempos ele mamou até os dois anos de idade. Mas com a minha filha seria diferente! -eu pensava, tinha me preparado para o parto, lido muito sobre o parto e a amamentação, e decidido trabalhar em casa após o parto para poder me dedicar 100% a ela.
Nos primeiros dias foi tudo bem, o leite desceu, os mamilos ficaram sensíveis, um pouco doloridos, mas a bebê mamava bem, sugava forte, porém não abria bem a boca na hora da pega e eu não tinha percebido esse detalhe, a pega não estava boa. Comecei a sentir muita dor durante as mamadas e apareceram as primeiras fissuras nos mamilos, como eu já tinha passado por algo similar seis anos atrás, corri para o banco de leite da minha cidade. Lá as enfermeiras me auxiliaram corrigindo a pega e me ensinando a fazer massagem,  ordenha, passar o leite materno nos mamilos para ajudar na cicatrização e dar o LM para a bebê utilizando a técnica do copinho para evitar o uso da mamadeira. Mesmo com todos os cuidados e seguindo as instruções as fissuras aumentaram e a dor começou a ficar insuportável. Minha filha chorava de fome e eu chorava de dor, não aguentando deixa-la  mamar mais do que 5 minutos em cada mama. Recebi a visita e o apoio da minha doula e também de outra amiga que é enfermeira obstetra, elas me orientaram me encorajaram a continuar, relembrando que muitas mulheres passam por estas dificuldades iniciais, mas que é possível ter uma amamentação bem sucedida com perseverança e dedicação. E eu estava decidida, iria continuar...
Mais ou menos 10 dias após o nascimento da minha filha eu não aguantava mais a dor causada pelas fissuras, minha filha não estava mamando direito e eu não conseguia nem ao menos ordenhar as mamas. As mamas estavam inchadas doloridas e o leite estava empedrando, estava começando a ter febre e sentir calafrios, eu chorava e sentia muita angústia porque queria muito que a minha filha se alimentasse direito e não estava conseguindo. A consulta com a pediatra ainda demoraria 5 dias, era muito tempo para esperar. Foi então que eu e meu marido tomamos uma decisão, com dor no coração compramos uma lata de leite Nan e comecei a dar o complemento no copinho, eu continuava ordenhando o que podia e dando meu leite para ela no copinho também. Eu me sentia frustrada e muito cansada porque era muito difícil dar o leite no copinho e depois ordenhar o meu, saia pouco ás vezes 20 ml, 30 ml das duas mamas e doía demais porque os mamilos estavam muito machucados. Eu estava no meu limite, sem dormir direito e extremamente cansada, sentia que já não tinha forças para ordenhar uma gota mais de leite; meu marido foi um anjo quando por várias vezes se ofereceu para fazer a massagem e me ajudar na ordenha, e não é que ele tinha aprendido direitinho?
As fissuras eram enormes, doíam demais e sangravam. Um dia eu pensei, vou dar o peito  mesmo assim, vou aguentar a dor, mas na hora em que a bebê abocanhou o mamilo com força literalmente arrancou um pedaço, o pedacinho ficou pendurado, foi muito impressionante e doloroso. Fui na minha GO e ela me disse que estava começando com uma mastite, receitou antibiótico e repouso, ou seja não poderia mais amamentar, não havia condições. As feridas estavam começando a infeccionar, quando eu ordenhava saia leite, sangue e pus.
Uns dois dias depois o antibiótico começou a fazer efeito e parou de sair pus, mas as fissuras ainda eram grandes, e a dor também, tinha que tomar analgésico várias vezes durante o dia e não podia dar o peito pra minha filha. Eu continuava ordenhando e dando meu leite e complemento. Ela se adaptou bem ao copinho, mas sentia muita necessidade de sugar. Como eu não queria dar chupeta, comecei a oferecer meu dedo mindinho a ela como uma “chupeta natural”.
Entrei em contato com a minha amiga enfermeira e ela começou a vir todos os dias em casa, me ajudava a fazer a ordenha e a massagem para esvaziar as mamas. No dia 20 com a ajuda dela coloquei a bebê novamente no peito para mamar, confesso que sentia medo de piorar as fissuras, os mamilos estavam começando a cicatrizar então... Começamos pela mama esquerda que era a menos machucada e a bebê mamou uns 10 minutos, eu vendo estrelas de tanta dor! No dia seguinte olhávamos a avaliávamos qual mama estava menos machucada e menos dolorida e eu colocava a bebê para sugar nessa por uns 10 a 15 minutos, era o máximo que eu aguentava, só uma vez por dia...e assim foi até que os mamilos começaram a melhorar. Fui aprendendo a corrigir a pega, a trocar de posição, a retirar o mamilo da boca da neném sem machucar e pouco a pouco eu e a minha filha fomos ficando mais tranquilas e relaxadas na hora da mamada. Nós duas estávamos até dormindo melhor.
 Agora que os mamilos tinham melhorado e que eu podia colocar minha filha para mamar, precisava reeduca-la: ela gostava de sugar o bico do seio, por isso tinham aparecido as fissuras e também dormia no peito, então a sucção ficava fraca e ela ficava chupetando o mamilo... isso doía muito e piorava as fissuras. Felizmente fomos corrigindo isso aos poucos e para isso usei o mama tutti, um aparelhinho de relactação onde o leite, no meu caso o complemento, é enviado por uma sonda e o bebê o recebe ao mesmo tempo em que suga o mamilo. Foi muito bom usar o mama tutti porque a sucção estimulou o meu peito a produzir o leite necessário para suprir a necessidade da minha filha e o fluxo maior do leite a estimulou a sugar com mais ritmo e força. Comecei a tomar chás (camomila, erva cidreira, chá da mamãe) e tintura de algodoeiro para estimular a produção de leite.
A bebê mamava com mais frequência, a quantidade de leite começou a aumentar e pouco a pouco começou a diminuir a quantidade de complemento que ela tomava...de 90 por dia, passou para 60 e no outro dia 30...até que um dia eu coloquei o copinho com complemento na boquinha dela e ela cuspiu todo porque já tinha ficado satisfeita só com o meu leite!
Eu que pensava que nunca iria conseguir dar só o meu leite para ela, estava alimentando ela exclusivamente com o meu leite...quase um mês e meio depois! Ah, e estava ganhando peso!

Mas a história não termina aqui! De repente eu comecei a notar que algo tinha mudado na hora de mamar. Comecei a sentir uma dor diferente, mesmo com os mamilos quase totalmente cicatrizados apareceu um ardor e uma queimação. A dor era mais intensa depois do que durante a mamada e se espalhava até as costas ou até as costelas. Os mamilos começaram a ficar avermelhados e inchados e alguns minutos após a mamada a ponta dos mamilos ficava esbranquiçada. –De novo não! –pensei. – isso não pode estar acontecendo comigo de novo!
Pois é! Era candidíase nas mamas. Fui novamente à médica que me passou os medicamentos para tratar a infecção.
Hoje minha filha está com um mês e 22 dias (bem rechonchuda, rs) e posso dizer que consegui superar todas as dificuldades graças a perseverança e a convicção de que o LM e a amamentação são muito mais do que alimento. Posso sentir o prazer e a satisfação de amamentar e afirmar que amamentar é um ato de amor!
Agradeço o apoio incondicional que encontrei em meu marido e nas pessoas que me rodearam e que me ajudaram: Rê, minha doula linda, Pri, GO maravilhosa e Dri, minha enfermeira preferida, fofa!

Mirian

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