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A respeito das convicções...

Hoje trago para cá um texto do obstetra humanizado Ricardo Jones! Vale a pena a reflexão!




Sobre o tema de “meu obstetra abrirá uma exceção para mim”, há muita coisa ainda a dizer para aclarar as questões relativas ao encobrimento emocional e psicológico das decisões a tomar. Mulheres que agem sob a pressão da assimetria psicológica característica do pré-natal sofrem de algo que chamei de "fragilidade de convicções". Houve gente que não gostou.

Entretanto, com muitos anos de escuta, principalmente no espaço cibernético das listas de discussão, não há mais como se enganar. O discurso dessas mulheres mostra uma característica em comum: uma "fraqueza essencial na topografia relacional".

Credo... foi o Max que inventou isso. Significa apenas que, na dinâmica da relação com o cuidador, o cliente - no caso a grávida - se encontra numa posição por demais desfavorável, a ponto de que ela própria considera sua voz inaudível no embate que porventura se estabeleça. Ela mesma se percebe fraca e desempoderada. Ela mesma se entende impotente diante do gigantismo das decisões. Assim sendo, ela se cala.

Mas, para que tal apequenamento não se torne uma violência contra si mesma, ela opta por uma série de racionalizações em sequência e, muitas vezes, interdependentes.

Para tais casos, os obstetras "bonzinhos" costumam aparentar uma espécie de disponibilidade dúbia, apresentando um discurso repleto restrições e promessas, o qual a gestante nos apresenta de uma forma benevolente e alienadamente compreensiva, a saber:

• Ele gosta, mas tem 30 anos de carreira; está cansado;
• Ele já fez muitos, me contaram;
• Ele fez para uma amiga minha;
• Ele vai tentar, se tudo estiver certo;
• Ele vai abrir uma exceção para mim;
• Ele vai fazer desde que não seja nos fins de semana, pois não abre mão da família;
• Ele diz que adora parto normal, mas hoje em dia as mulheres todas pedem cesarianas;
• Ele prefere o parto normal, mas as mulheres enfraqueceram de uns anos para cá;
• Ele admira a coragem dessas "corajosas", mas prefere a segurança de uma cesárea;
• Ele (complete aqui com sua história pessoal ou próxima...)

Depois de uma década colecionando este tipo de relatos não há mais como se enganar muito.
Aliás... não é necessário ir muito longe. Leiam os relatos das modelos e atrizes brazucas. Quase todas as descrições nos tablóides (com exceção notável - e elogiável, em certo ponto - da Sra Letícia Birkheuer que anunciou com larga antecedência que faria uma cesariana) falam de histórias clichê em que o "parto será normal e meu médico está me preparando para isso". A mais minúscula das contrariedades, entretanto, levou o profissional a, rapidamente, trocar de idéia, com o beneplácito sorridente da amável celebridade tupiniquim. Raras são as mulheres que, tendo a carregar o peso da notoriedade social, não sucumbem diante dos temores que os próprios profissionais enfrentam de levar um parto normal até o fim.

Humanizar o nascimento é restituir o protagonismo à mulher. Isso implica uma série de responsabilidades compartilhadas. Não há como ser protagonista e ter uma posição subalterna no terreno das decisões. Não existe protagonismo sem voz e sem vez. É impossível ser agente do próprio destino quando as convicções são débeis e a atitude é frágil. Empoderamento não é um “slogan” apenas; é uma espécie de “levante pela autonomia”, uma revolução cultural em nome da liberdade.

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