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Campinas ignora diretriz e restringe trabalho de doula em maternidades

Maternidade chegou a permitir presença de duas pessoas na sala de parto.
Ministério da Saúde considera caso como retrocesso de parto humanizado.


Maternidade de Campinas permite a entrada de um acompanhante por gestante (Foto: Anaísa Catucci/ G1 Campinas) 
Maternidade de Campinas permite a entrada de um acompanhante (Foto:Anaísa Catucci/G1 Campinas)
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O sistema público de saúde de Campinas (SP) deixou de oferecer o acompanhamento à gestante de duas ou mais pessoas durante o parto. A Maternidade de Campinas, que chegou a permitir a entrada, regulamentou a permissão e limitou o acesso à sala. Segundo o Ministério da Saúde, o que porderia significar um avanço para a maternidade, no processo previsto na Rede Cegonha, que integra o trabalho da doula ao Sistema Único de Saúde (SUS), se tornou um procedimento de escolha para a mulher e considera um "retrocesso na humanização do parto".
As outras unidades de atendimento à parturiente na cidade também aplicam a regra, que atende a determinação prevista em lei federal, de 2005, que toda mulher grávida tem direito a um acompanhante.
A medida na Maternidade de Campinas passou a vigorar em agosto. Grupos de apoio às gestantesnão aprovaram as modificações e afirmam que a decisão inibe a participação da família em conjunto com as parteiras ou de uma profissional treinada para ficar junto às parturientes.
Placa na maternidade de Campinas (Foto: Anaísa Catucci/ G1 Campinas) 
Placa indica direito de parturiente durante trabalho de parto na maternidade (Foto: Anaísa Catucci/ G1)
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O diretor clínico Marcos Miele, explica que a unidade não possui estrutura física para acomodar as outras pessoas fora do quadro clínico. Ele diz que a maternidade foi uma das pioneiras em acatar a determinação para um acompanhante e, desde então, esta adequada à lei.
Segundo Miele, a permissão ficou mais rígida após a mudança de direção, quando constatou a atuação de determinadas equipes médicas que permitiam a entrada de outras pessoas sem ser o acompanhante. “A norma é para garantir a segurança da paciente e tranquilidade na hora do parto”, diz.
A psicóloga Talita Paris está na reta final da gestação com 39 semanas a espera de Rafaela e afirma que a decisão repentina causou danos emocionais. “Infelizmente estou sendo prejudicada com essa decisão da maternidade e muito triste com isso”, disse.
No momento do parto, Talita considera que tanto a doula, quanto o marido são importantes e prefere não ter que escolher entre ambos. “Espero que até minha filha decida nascer, eles já tenham reavaliado essa questão e voltem atrás na decisão, permitindo a entrada da doula, que não é uma acompanhante, e sim, um membro da equipe, com um papel de extrema importância, é a minha esperança”, afirma.
Hospital registrou até agosto 69% dos partos cesáreas (Foto: Anaísa Catucci/ G1 Campinas) 
Hospital registrou até agosto 69% dos partos de cesáreas (Foto: Anaísa Catucci/ G1 Campinas)
 
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Privacidade
A maternidade faz parte da Rede Cegonha, do Ministério da Saúde, e atende as diretrizes do programa sobre leitos obstétricos e neonatais em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) e assistência a recém-nascido de baixo peso. No entanto sobre a valorização dos instrumentos considerados humanizados pelo governo, da parteira e da doula, faz uma ressalva. “Não somos contra, mas a mulher tem que escolher”, afirma o Miele.
Para o médico ginecologista e obstetra Wlademir Pereira Mendes, gestor da Secretaria de Saúde no convênio com a prefeitura e a Maternidade de Campinas, o protagonismo da gestante tem um fator fundamental e considera que o “modismo naturalista” deve ser levado a sério tanto nas políticas públicas e nas determinações internas das instituições. “Entendo como um processo, no entanto, para atender a proposta dos financiamentos e também da descentralização do atendimento, o corpo clínico também terá que passar por uma mudança e não tratar o assunto com resistência”, explica.
Maternidade está aberta ao diálogo"
Marcos Miele, diretor clínico
Segundo o médico, as interferências da secretaria vão ser necessárias, mas ocorrerá em fases para que não ocorram riscos para o descredenciamento das unidades de saúde da Rede Cegonha.
De acordo com Miele, uma das mudanças propostas no projeto é a mudança na ambiência da maternidade, orientada pela resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O projeto foi encaminhado para análise do governo e poderá contemplar a presença de doulas e parteiras.“Mesmo após modificações nos apartamentos para proporcionar mais privacidade à paciente, será necessário uma determinação judicial ou mudança na lei para permitir a entrada de mais pessoas (...) A maternidade está aberta ao diálogo”, afirma.
O Ministério da Saúde, por meio de assessoria, afirmou que a possibilidade antes concedida pela Maternidade de Campinas em proporcionar o acompanhamento de outras pessoas no parto era considerada como um “diferencial de reconhecida importância entre as outras unidades e por meio de mecanismos internos o caso é supervisionado em longo prazo”.
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Levantamento
Dados da Secretaria de Saúde mostram que 63% dos partos são cesáreas, índice maior que o recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que deve ficar entre 10% e 15%. Foram registrados 14.952 nascimentos na cidade em 2010, sendo 5.488 normais, 9.455 cesáreas, além de nove não informados.
Na maternidade, os partos com procedimento cirúrgico também são maioria, com 69% dos nascimentos registrados entre janeiro e 9 de agosto deste ano. O levantamento aponta que foram realizados 4.173 cesáreas e 1.820 partos normais.
Mãe de dois meninos defende a presença do pai e da doula durante o parto (Foto: Verônica Guimarães/ Arquivo Pessoal) 
Mãe de Nicolas e Enrico apoia presença de doula (Foto:Verônica Guimarães/Arquivo Pessoal)
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Acompanhante
As doulas não têm a necessidade de possuir a atribuição técnica na hora do parto. A função inclui um suporte físico e emocional à mulher e a família, como explica uma das integrantes do grupo Vínculo, que defende o parto humanizado, Verônica Guimarães, de 33 anos. “Muitas são profissionais da saúde como psicólogas, fisioterapeutas, enfermeiras, fonoaudiólogas, dentistas que oferecem um acompanhamento durante o pré-parto, no parto e pós-parto”, explica.
Para Verônica, mãe de Nicolas e Enrico, os acompanhamentos da doula e do marido foram fundamentais durante o trabalho de parto, que levou 27 horas. “Ambos me ajudaram, mas foi a doula que incentivou minha força e meu suporte”, afirma. Para a jornalista, a experiência compartilhada na Maternidade de Campinas foi um fator que favoreceu os laços da família.
Ela afirma que tentou o parto normal, mas com a incidência de complicações durante o processo caminhou para ter o filho com cesárea. “A presença da acompanhante diminuiu os obstáculos e transformou o acontecimento em uma experiência segura e positiva”, explica Verônica.
Doula Renata Olah e visita a família de Verônica  (Foto: Verônica Guimarães/ Arquivo Pessoal) 
Doula Renata Olah e visita a família de Verônica (Foto: Verônica Guimarães/ Arquivo Pessoal)
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O Hospital Municipal Dr. Valdemar Tebaldi, de Americana (SP), oferece às gestantes acompanhamento de oito doulas não só no parto, mas também no pré-natal e no pós-parto. As profissionais fazem em média 150 partos por mês. Segundo o coordenador médico da maternidade, Libório Albim, a profissional serve como um elo entre a área técnica e a parte emocional, tanto da gestante quanto da família. "Nem sempre o médico está em contato com a paciente. A presença das doulas é altamente benéfico", afirma.
Segundo Albim, gestantes de outras cidades da região já procuraram os serviços de doula do hospital. "Nós temos percebido um aumento na preferência pelo parto humanizado", afirma o coordenador.


*Fonte: G1

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