Pular para o conteúdo principal

Relato de parto do Leo - VBAC

A Maju foi minha colega de faculdade e muitos anos depois de nos formarmos me deu a oportunidade de acompanhá-la em seu parto. E hoje me enviou seu relato me dando a honra de publicá-lo aqui no blog! Vivência boa tem que ser compartilhada!💕💖
Espero que gostem! Boa leitura!


Relato de parto do Leonardo

O relato de parto do Leonardo, que aconteceu em 29 de Janeiro de 2018, teve seu início em Novembro de 2010. Foi da experiência de parto de minhas filhas gêmeas que eu tirei força, vontade e coragem de escolher o parto natural. 
Em 2010 eu não tinha muitas informações e, por se tratar de parto gemelar, eu não tive a oportunidade de escolher a forma que eu queria que minhas meninas viessem ao mundo. Tudo era embasado no medo e o médico sempre partia do princípio que havia algo errado com elas. Claro que me disse algumas vezes que seria impensável o parto normal e, realmente, ele não me deu a oportunidade de pensar. Ele marcou a data do parto no dia de seu plantão. Elas nasceram prematuras de 36 semanas sem necessidade. Aquela história recorrente que é mais comum do que a gente pode imaginar. 
Com as informações e relatos de amigas percebi ao longo dos anos que meu médico não me ouviu, não me deu oportunidade de escolher. Vi também o meu erro de não ter ido buscar mais informações, trocar de equipe. Quando a ficha caiu, fui ver o índice de Cesarianas realizadas por ele (sim, o plano de saúde é obrigado a te dar essa informação) e estava lá...98%! Com o tempo, acolhi esse sentimento e me perdoei por completo e também pedi perdão para minhas meninas amadas mas ficou a vontade de fazer diferente, se eu tivesse a oportunidade.  
7 anos depois fiquei grávida do Leo e, desde o princípio, tive uma imensa vontade de respeitar o tempo daquele serzinho e experimentar a força da natureza agindo sob meu corpo. Na primeira consulta com um médico do convênio, ao ser questionado se ele faria parto normal, ele respondeu em alto e bom som:
- É cedo para falarmos disso mas vem aqui, você quer estourar seu útero?  A resposta veio na mesma rapidez e altura: não. Eu quero é trocar de médico. 
Nesta altura uma colega de profissão e Doula  já era bastante ativa na missão de trazer os bebês para o mundo da melhor forma. Foi para a querida Renata Olah que eu liguei. Ela pacientemente me ouviu e me deu todos os nomes das equipes médicas em Campinas que poderiam me acolher, ouvir e que fariam o parto normal se eu tivesse a indicação.
Encontrei as pessoas certas logo depois e minha equipe de parto já estava formada. Dra Mariana Simões, Renata Olah, Jessica e, para receber o Léo, a Dra Ana Paula Caldas. Em todas as consultas, eu e Dra Mariana falávamos das evidências cientificas e sobre o quanto o parto normal, quando bem assistido, é mais seguro para a mãe e para o bebê. Estudei muito. Muito mesmo. Era necessário juntar a vontade e a emoção com o lado racional do cérebro. Era daí que viria a minha forca para parir. A propósito, de acordo com o National Institutes of Health (NIH), "VBAC é uma escolha razoável e segura para a maioria das mulheres com cesariana anterior’” e o índice de ruptura uterina após cesariana é em torno de 1%. 
Eu brincava que já tinha combinado com o Leozinho que teríamos um parto tranquilo, indolor, rápido e que nasceria no máximo até as 40 semanas. Sempre acreditei neste lance de enviar mensagens para o Universo rsrs. Foi exatamente o oposto.
O Léo nasceu de 41 semanas e 5 dias em um parto de 24 horas pesando 4, 570 kg!
É necessário dizer que a pressão psicológica externa e interna após as 41 semanas foi quase insuportável. Eu sabia que pelas evidências cientificas, e por tudo o que vivencio na minha profissão, eu jamais deixaria passar de 42 semanas. Nesta altura já fazíamos exames diariamente e sabíamos que ele estava bem.  Estava naquela semana a nossa chance de vivenciar esse momento.
Com 41 semanas e 4 dias optamos pela indução do parto, com uso do balão (entenda mais lendo aqui e aqui).  As contrações chegaram fortes e ritmadas a cada vez mais intensas e dolorosas. Olhar para a minha doula, super serena, e para o meu  marido que calmamente falava: “você vai conseguir. Logo o nosso bebe estará aqui”, me dava forças para continuar. Às vezes eles acreditaram em mim mais do que eu mesma. 
Após bons dias de pródromos (aquele falso trabalho de parto), 12 longas horas de trabalho de parto monitorado em casa, fomos ao hospital às 8:00 da manhã e fomos acolhidos pela Dra Mariana. Do nosso quarto ela não saiu até o momento do Léo nascer. É claro que pensei em desistir. Falei algumas vezes que poderíamos ir para a cesariana. Mas aquela equipe sabia qual era meu desejo e eles sabiam que eu iria conseguir. Nesta hora, ao invés de pegarem um bisturi, pegavam em minhas mãos e me olhavam profundamente. 
As 16:44, sentada na banqueta de parto, o Léo veio ao mundo cheio de força e energia. Poucos minutos antes veio o famoso, “circulo de fogo”, a dor intensa. Ali eu não via mais ninguém e tudo o que eu havia estudado tinha ido por água abaixo. Não via nem a equipe de parto. Era simplesmente deixar a força da natureza agir. Era tudo entre eu, Leo e Deus. Estava em outro planeta, completamente imersa na sensação do parto.
E assim, pude viver um momento inexplicável. Ele era gigante. Um bebê lindo de 4, 570kg que veio direto aos nossos braços e inundou ainda mais a nossa família de amor. Eu não conseguia chorar. Estava em êxtase e me sentindo muito, muito feliz por ter conseguido o meu tão desejado parto normal após uma cesariana (Vbac). Eu me senti tão perto de Deus e das forças do Universo que parecia que ia sair flutuando. A dor cessou imediatamente. 
Sou eternamente grata a mim mesma por ter encarado esse desafio e a toda a minha equipe que me apoio desde o início. Acredito muito nos ciclos da natureza e que os bebês devem ser respeitados no seu tempo. Também acho que toda gestante tem o direito de ser bem atendida, bem conduzida e ter suas escolhas respeitadas em relação ao tipo de parto escolhido. 

Considerações finais:
- Minha gratidão eterna a cada uma dessas pessoas desta foto, incluindo a Mari Corsi que registrou todas imagens abaixo. 
- Sou totalmente contra quem julga que uma mãe que escolheu ter uma cesariana ama menos o seu filho do que mãe que teve parto normal ou é menos forte ou corajosa. Tive as duas experiências e amo tanto meus três filhos que nem cabe em meu coração. Nenhuma mulher deve ser julgada. Simplesmente respeitada e informada. Também sou totalmente contra que não da possibilidades para a pessoa pensar, sentir  e decidir “podando”por completo qualquer possibilidade e usando o medo como principal arma. 
- Sou sim a favor de se informar muito para depois decidir com seu coração e com suas vontades. O sistema de parto no Brasil está claramente desequilibrado com índices altíssimos de cesarianas desnecessárias quando comparados com os países desenvolvidos. Isso está relacionado a praticidade e dinheiro. Estude e depois decida. – Informe-se. Questione. Hoje o que não falta são informações de qualidade. 
- Ouvi muitas vezes aquelas frases prontas; você arriscou hein? Tem que ter coragem para arriscar? Nossa, não sabia que você era paz e amor... Como citei acima, o parto normal é o mais seguro para mãe e para o bebê. Em nenhum momento, eu estava arriscando, eu estava fazendo a escolha mais segura. Mas certamente a vida é feita de riscos e toda e qualquer escolha os envolve. 
- Sou Fisioterapeuta especializada em Neurologia Infantil. Até agora, em 13 anos de carreira foram as inúmeras histórias de más condutas no momento do parto que impactaram muito toda a família e suas crianças. Meu coração já chorou muitas vezes após fechar a porta do consultório e imaginar o que aquela mãe passou. A vocês, todo o meu respeito e amor. Que possamos sempre nos unir para um excelente atendimento pré natal e uma excelente condução no parto. Que todas as mulheres tenham esse direito. Esse é o meu desejo. Há também alguns casos em que todos foram bem conduzidos, não houve nenhum equivoco da equipe e algo  totalmente inesperado deu errado seja no parto normal ou cesariana. Há muitas coisas que a ciência não explica e que é entre a gente e Deus. 
Que essa força e confiança em algo maior nos apoie em nossas escolhas e decisões e que estejamos sempre “acordadas’ para faze-las da melhor forma. 

Com amor,
Marina









 







Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Linha Purpura e parto

Durante a gestação o corpo da mulher se modifica, se pigmenta e algumas linhas se formam... Uma das linhas mais conhecidas é a linha nigra, aquela linha escura que aparece no abdome da maioria das gestantes devido alterações hormonais e que depois some...  Mas agora conhecemos uma outra linha, menos perceptível (por estar mais escondida) mas com uma função maravilhosa: indicar indiretamente a evolução do trabalho de parto! Sim!!! O corpo consegue expressar qual o nível de descida do bebê e dilatação do colo através de uma linha que aparece no bumbum: a linha purpura!! Não é demais????? Eu já havia notado a linha purpura em gestantes, mas nunca me atentei para ela... nem imaginava porque ela existia!!! A linha purpura foi descrita e estudada apenas por parteiras cujos estudos já são meio antigos (1990 e 1998) e este ano voltou a ser comentada através da tese de livre docência da Dra. Nádia Zanon Narchi, que resolveu usar a linha purpura como método auxiliar de avaliação de fase ativa do t…

Secreções vaginais durante a gestação e parto

FAQ do site da ONG Amigas do Parto...




Que tipos de secreções vaginais uma gestante pode apresentar?
Durante a gestação e o trabalho de parto as mulheres podem apresentar secreções vaginais consideradas fisiológicas ou não a depender de suas características e época de aparecimento. Basicamente temos 4 tipos de perdas vaginais:
1. Corrimento vaginal
2. Sangramento
3. Tampão mucoso
4. Líquido amniótico
Como são as características de um corrimento vaginal fisiológico?
A cavidade vaginal é como a cavidade oral, assim como temos saliva na boca, temos uma certa quantidade de corrimento na vagina, algumas mulheres têm mais e outras menos. Durante a gestação, a quantidade desta secreção fica aumentada e tem como característica ser esbranquiçada, com odor característico da vagina que não é desagradável como de peixe estragado, e também não é acompanhada de coceira. A gestante também não apresenta ardor ou dor na relação sexual. A coloração do corrimento deve ser observada quando está saindo e nã…

Exercícios para o parto

FOTO 1 -Exercícios Kegel
Durante o último mês da gravidez, alguns exercícios simples podem ajudar a preparar seus músculos para o trabalho.

Comece com exercícios Kegel, que ajudam a manter o tônus dos músculos pélvicos. Basta apertar os seus músculos pélvicos como se você parar o fluxo de urina. Tente manter por cinco segundos, por quatro ou cinco vezes. Depois tente manter os músculos contraídos durante 10 segundos, relaxando 10 segundos entre as contrações. Objetivo é realizar, pelo menos, três séries de 10 repetições por dia. Você pode fazer os exercícios em pé, sentada ou deitada.

FOTO 2 - O alfaiate sentado
O alfaiate sentado trabalha os músculos das coxas e pélvis. Também melhora a postura, mantém as articulações pélvicas flexíveis e aumenta o fluxo sanguíneo para a região mais baixa do corpo.

Para praticar a posição, sente no chão com suas costas retas. Junte as plantas dos pés, puxe o calcanhar para sua virilha e suavemente relaxe os joelhos. Você vai se sentir um estirament…